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DOI: 10.1055/s-0045-1811176
Epidemiologia e abordagem multidisciplinar nas fissuras orofaciais: Características clínicas e padrões de reabilitação
Article in several languages: português | EnglishSuporte Financeiro Os autores declaram que não receberam suporte financeiro de agências dos setores público, privado ou sem fins lucrativos para a realização deste estudo.
Ensaio Clínico Não.
Resumo
Introdução
As fissuras orofaciais são malformações congênitas que afetam o desenvolvimento craniofacial e configuram um problema relevante de saúde pública. Este estudo buscou investigar a frequência, a distribuição e as características dessas fissuras em pacientes atendidos em um centro especializado, além de avaliar os padrões de reabilitação adotados.
Materiais e Métodos
A pesquisa envolveu 59 pacientes diagnosticados com diferentes tipos de fissuras orofaciais, incluindo casos simples e complexos, com ou sem histórico cirúrgico. Foram analisadas variáveis como sexo, faixa etária e procedimentos realizados. A análise estatística foi realizada por métodos multivariados, incluindo análise de componentes principais (PCA, do inglês principal component analysis) e análise de agrupamento (CA, do inglês cluster analysis), com o programa SAS (SAS Institute Inc.), versão 9.2.
Resultados
As fissuras transforaminais direitas (CRT, do inglês cleft right transforamen) ou esquerdas (CLT, do inglês cleft left transforamen) foram as mais prevalentes, especialmente em pacientes do sexo masculino. A maior parte dos atendimentos foi feita em bebês e crianças pequenas, o que reflete a prática de intervenção precoce. Cerca de 59,3% dos pacientes já haviam passado por cirurgias, como queiloplastia e palatoplastia, muitas vezes em combinação. Fissuras mais complexas, como as transforaminais bilaterais (CBT, do inglês cleft bilateral transforaminal), demandaram múltiplas cirurgias e acompanhamento prolongado.
Conclusão
Este estudo ressalta a necessidade de intervenções precoces e contínuas, bem como de levantamentos epidemiológicos regionais para orientar políticas públicas e otimizar a alocação de recursos. O manejo multidisciplinar e o planejamento personalizado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
Palavras-chave
anormalidades craniofaciais - cirurgia plástica - epidemiologia - fenda labial - fissura palatinaIntrodução
As fissuras orofaciais são malformações congênitas que comprometem o desenvolvimento craniofacial e representam um problema significativo de saúde pública em diversas regiões do mundo. A prevalência dessas doenças é estimada em aproximadamente 1 em cada 700 nascidos vivos, o que reforça sua importância clínica e epidemiológica.[1] Entre 1990 e 2019, a incidência global dessas fissuras diminuiu, particularmente em regiões com altos índices sociodemográficos (ISD). No entanto, alguns países de baixa renda relataram aumentos significativos nas taxas de ocorrência.[2]
As fissuras orofaciais são decorrentes de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Entre os fatores genéticos, destacam-se mutações em genes que regulam o desenvolvimento facial e do palato. Além disso, a exposição a certos medicamentos e produtos químicos durante a gravidez pode interferir no desenvolvimento fetal, o que aumenta o risco dessas malformações.[3] Há também evidências de que a nutrição materna é crucial na etiologia da fissura labiopalatina, juntamente com modificações epigenéticas que contribuem para a sua patogênese.[4] [5]
Essas fissuras variam de fissuras labiais isoladas ao comprometimento total do palato, e afetam tanto a estética facial quanto as funções essenciais, como alimentação, fala e respiração. Essas deficiências influenciam significativamente a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.[6] [7]
Devido à sua complexidade, o tratamento das fissuras orofaciais requer uma abordagem multidisciplinar que envolve cirurgiões, fonoaudiólogos, ortodontistas, psicólogos e outros profissionais de saúde.[8] A intervenção precoce é crucial para otimizar os desfechos no longo prazo. A realização de procedimentos como a queiloplastia e a palatoplastia na primeira infância minimiza as dificuldades funcionais e facilita o desenvolvimento psicossocial.[9] No entanto, há necessidade de múltiplas cirurgias ao longo do tempo, o que torna o acompanhamento contínuo essencial para assegurar a eficácia da reabilitação.[10]
A epidemiologia das fissuras orofaciais depende de fatores genéticos, ambientais e regionais, de modo que é preciso mapear essas variáveis para orientar intervenções mais eficazes.[11] Embora o diagnóstico e o tratamento tenham avançado de forma significativa, ainda existem lacunas na literatura, particularmente no que diz respeito à distribuição dos tipos de fissura e ao impacto do histórico cirúrgico nos desfechos em diferentes populações.[12] Essas informações são cruciais para otimizar a alocação de recursos e melhorar a qualidade do atendimento prestado por centros especializados.
Objetivo
Este estudo tem como objetivo investigar a frequência, a distribuição e as características das fissuras orofaciais em pacientes atendidos no Centro Pró-Sorriso de Tratamento de Fissuras Labiopalatinas, em Alfenas, Minas Gerais. Além disso, busca avaliar os padrões de reabilitação empregados, considerando variáveis como sexo, idade e histórico cirúrgico, para contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas e políticas públicas mais eficazes voltadas à reabilitação dos pacientes.
Materiais e Métodos
Este estudo incluiu 59 pacientes com fissuras orofaciais, com ou sem histórico clínico de cirurgia orofacial, tratados entre fevereiro de 2019 e fevereiro de 2020. Os pacientes tinham idades entre 3 meses e 58 anos (média: 10,1 ± 14,6 anos) e eram de ambos os sexos (17 mulheres, com média de idade de 16,3 ± 19,3 anos, e 42 homens, com média de idade de 7,6 ± 11,6 anos). Todos os pacientes tinham indicação clínica para reabilitação cirúrgica, e foram diagnosticados de acordo com a classificação clínica das fissuras orofaciais.[13] [14] Os pacientes receberam atendimento médico e odontológico contínuo no Centro Pró-Sorriso.
A população de pacientes foi estratificada por faixa etária, sexo, tipo de fissura orofacial, histórico cirúrgico e tipo de reabilitação cirúrgica prévia. Essas variáveis foram submetidas à análise estatística para a avalição de tendências e associações. Esta pesquisa respeitou os princípios éticos descritos na Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (FOP/UNICAMP), sob protocolo n° 093/2014, CAAE 34875614.0.0000.5418.
Os dados foram submetidos à análise estatística multivariada utilizando o programa SAS (SAS Institute Inc.), versão 9.2. Os métodos analíticos incluíram análise de componentes principais (PCA, do inglês principal component analysis) e construção interativa de biplot, juntamente com análise de grupamento (CA, do inglês cluster analysis) e interpretação de dendrograma (limiar ≤ 0,5) para a identificação de padrões e relações entre os dados.[15]
Resultados
Este estudo analisou 59 pacientes diagnosticados com diversos tipos de fissuras orofaciais, que abrangiam variações anatômicas e doenças sindrômicas associadas ([Tabela 1] e [Fig. 1]). Observou-se uma clara predominância de fissuras transforaminais direitas (CRT, do inglês cleft right transforamen) e esquerdas (CLT, do inglês cleft left transforamen), com maior incidência em pacientes do sexo masculino, o que reflete o perfil epidemiológico característico dessas malformações.
Tipos de fissuras orofaciais |
Sexo feminino |
Sexo masculino |
Σ |
|||
---|---|---|---|---|---|---|
n |
% |
n |
% |
n |
% |
|
CBT |
2 |
3,4 |
7 |
11,9 |
9 |
15,3 |
CRT ou CLT |
4 |
6,8 |
18 |
30,5 |
22 |
37,3 |
CPo-FC |
1 |
1,7 |
1 |
1,7 |
2 |
3,4 |
CPo-FI |
2 |
3,4 |
2 |
3,4 |
4 |
6,8 |
CP-FRC ou CP-FLC |
4 |
6,8 |
1 |
1,7 |
5 |
8,5 |
CP-FRI ou CP-FLI |
1 |
1,7 |
6 |
10,2 |
7 |
11,9 |
CSPo-FI |
1 |
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0 |
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1 |
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DG-G |
1 |
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0 |
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1 |
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CP-FRI ou CP-FLI + CPo-FI |
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4 |
6,8 |
5 |
8,5 |
CRT ou CLT + CP-FRI ou CP-FLI |
0 |
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3 |
5,1 |
3 |
5,1 |
Σ |
17 |
28,8 |
42 |
71,2 |
59 |
100,0 |


Os resultados revelaram que o sexo masculino apresentou CRT e CLT com maior frequência. Por outro lado, fissuras mais complexas, como as pré-foraminais completas (CP-FC, do inglês cleft preforamen complete) ou incompletas (CP-FI, do inglês cleft preforamen incomplete), apresentaram distribuição mais equilibrada entre os sexos. Isso sugere possíveis variações nos fatores etiológicos ou ambientais que influenciam os diferentes tipos de fissura. A estratificação por sexo e tipo de fissura traz informações que podem auxiliar na adaptação de intervenções clínicas de acordo com os padrões demográficos.
Além disso, pacientes com fissuras associadas a outras malformações (como uma combinação de fissuras trans e pré-foraminais) apresentaram uma distribuição notável entre as faixas etárias, como mostram a [Tabela 2] e a [Fig. 2]. A análise das faixas etárias revelou que bebês (até 1 ano de idade) e crianças pequenas (1–3 anos) foram os pacientes mais frequentemente hospitalizados para as primeiras intervenções cirúrgicas, o que indica uma prática consolidada de intervenção precoce. Essas intervenções visam minimizar comprometimentos funcionais e estéticos, e promovem o desenvolvimento social e psicossocial.
Tipos de fissuras orofaciais |
Bebê |
Criança pequena |
Pré-escolar |
Infância |
Adolescente |
Adulto |
Σ |
|||||||
---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
n |
% |
n |
% |
n |
% |
n |
% |
n |
% |
n |
% |
n |
% |
|
CBT |
1 |
1,7 |
1 |
1,7 |
1 |
1,7 |
2 |
3,4 |
2 |
3,4 |
2 |
3,4 |
9 |
15,3 |
CRT ou CLT |
10 |
16,9 |
1 |
1,7 |
2 |
3,4 |
4 |
6,8 |
1 |
1,7 |
4 |
6,8 |
22 |
37,3 |
CPo-FC |
1 |
1,7 |
0 |
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0 |
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2 |
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CPo-FI |
1 |
1,7 |
0 |
0,0 |
1 |
1,7 |
2 |
3,4 |
0 |
0,0 |
0 |
0,0 |
4 |
6,8 |
CP-FRC ou CP-FLC |
0 |
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2 |
3,4 |
1 |
1,7 |
1 |
1,7 |
0 |
0,0 |
1 |
1,7 |
5 |
8,5 |
CP-FRI ou CP-FLI |
5 |
8,5 |
0 |
0,0 |
0 |
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1,7 |
0 |
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1 |
1,7 |
7 |
11,9 |
CSPo-FI |
0 |
0,0 |
0 |
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0 |
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1 |
1,7 |
0 |
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0 |
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1 |
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DG-G |
1 |
1,7 |
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0,0 |
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0,0 |
0 |
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0 |
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0 |
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1 |
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CP-FRI ou CP-FLI + CPo-FI |
1 |
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2 |
3,4 |
1 |
1,7 |
0 |
0,0 |
0 |
0,0 |
1 |
1,7 |
5 |
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CRT ou CLT + CP-FRI ou CP-FLI |
2 |
3,4 |
0 |
0,0 |
0 |
0,0 |
1 |
1,7 |
0 |
0,0 |
0 |
0,0 |
3 |
5,1 |
Σ |
22 |
37,3 |
6 |
10,2 |
6 |
10,2 |
12 |
20,3 |
3 |
5,1 |
10 |
16,9 |
59 |
100,0 |


Cerca de 59,3% dos pacientes, conforme mostram a [Tabela 3] e a [Fig. 3], haviam sido submetidos a pelo menos 1 intervenção cirúrgica. Os procedimentos mais comuns incluíram queiloplastia, palatoplastia e cirurgias combinadas, como queiloplastia com palatoplastia. Casos mais complexos, como fissuras transforaminais bilaterais (CBT, do inglês cleft bilateral transforaminal), exigiram múltiplas cirurgias ao longo do tempo, o que ressalta a importância do planejamento em longo prazo e do acompanhamento contínuo para assegurar a eficácia da reabilitação.
Tipos de fissuras orofaciais |
Reabilitação cirúrgica |
Sem reabilitação cirúrgica |
Σ |
|||
---|---|---|---|---|---|---|
n |
% |
n |
% |
n |
% |
|
CBT |
7 |
11,9 |
2 |
3,4 |
9 |
15,3 |
CRT ou CLT |
15 |
25,4 |
7 |
11,9 |
22 |
37,3 |
CPo-FC |
0 |
0,0 |
2 |
3,4 |
2 |
3,4 |
CPo-FI |
2 |
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2 |
3,4 |
4 |
6,8 |
CP-FRC ou CP-FLC |
4 |
6,8 |
1 |
1,7 |
5 |
8,5 |
CP-FRI ou CP-FLI |
3 |
5,1 |
4 |
6,8 |
7 |
11,9 |
CSPo-FI |
0 |
0,0 |
1 |
1,7 |
1 |
1,7 |
DG-G |
0 |
0,0 |
1 |
1,7 |
1 |
1,7 |
CP-FRI ou CP-FLI + CPo-FI |
3 |
5,1 |
2 |
3,4 |
5 |
8,5 |
CRT ou CLT + CP-FRI ou CP-FLI |
1 |
1,7 |
2 |
3,4 |
3 |
5,1 |
Σ |
35 |
59,3 |
24 |
40,7 |
59 |
100,0 |


A análise multivariada, realizada com o programa SAS, versão 9.2, permitiu a construção de biplots e dendrogramas para interpretar padrões de agrupamento e similaridades entre os tipos de fissura e suas características epidemiológicas. A [Tabela 4] e a [Fig. 4] destacam a relação entre os tipos de fissura e as intervenções cirúrgicas realizadas. Observou-se que pacientes com fissuras mais simples, como CRT ou CLT, foram frequentemente submetidos à queiloplastia isolada ou à combinação de queiloplastia e palatoplastia. Por outro lado, casos mais complexos, como os de fissuras associadas a outras malformações, necessitaram de outros procedimentos, incluindo rinosseptoplastia.
Tipos de fissuras orofaciais |
Reabilitação cirúrgica |
Sem reabilitação cirúrgica |
Σ |
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Que |
Pal |
Rin |
Que + Pal |
Que + Rin |
Pal + Rin |
Que + Pal + Rin |
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CRT ou CLT |
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7 |
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CPo-FC |
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3,4 |
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6,8 |
CP-FRC ou CP-FLC |
3 |
5,1 |
0 |
0,0 |
0 |
0,0 |
0 |
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1 |
1,7 |
0 |
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CP-FRI ou CP-FLI |
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1,7 |
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0 |
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3 |
5,1 |
4 |
6,8 |
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11,9 |
CSPo-FI |
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CP-FRI ou CP-FLI + CPo-FI |
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3,4 |
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CRT ou CLT + CP-FRI ou CP-FLI |
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1,7 |
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Σ |
14 |
23,7 |
3 |
5,1 |
0 |
0,0 |
12 |
20,3 |
2 |
3,4 |
1 |
1,7 |
3 |
5,1 |
35 |
59,3 |
24 |
40,7 |
59 |
100,0 |


Discussão
A predominância de CLT sobre CRT é uma tendência marcante na epidemiologia das fissuras labiopalatinas, particularmente entre pacientes do sexo masculino. Estudos[16] indicam que o sexo masculino é significativamente mais afetado por essas fissuras, com uma proporção entre homens e mulheres de 1,34:1. Em uma coorte de Bengala Ocidental,[16] 69,59% dos pacientes eram do sexo masculino, o que reforça essa disparidade de sexo.
O lado esquerdo da face é mais acometido, e as fissuras unilaterais esquerdas são as mais comuns segundo vários estudos.[17] [18] No Brasil, Rollemberg et al.[19] (2019) revelaram que 20,5% dos pacientes apresentavam CLT, o que corrobora essa tendência.
A alta frequência de CRT e CLT destaca a importância de intervenções cirúrgicas precoces para garantir a função orofacial adequada, como alimentação e fala.[18] Fissuras mais complexas, as CBT e as pós-foraminais incompletas (CPo-FI, do inglês cleft postforamen incomplete), apresentam distribuição de sexo mais equilibrada, e contrastam com a predominância masculina em outros tipos.[20] Essas fissuras complexas requerem abordagens cirúrgicas mais elaboradas e planejamento multidisciplinar em longo prazo.[21]
O sucesso das intervenções depende também do acompanhamento contínuo, uma vez que um paciente pode precisar de múltiplas cirurgias ao longo da vida.[10] Neste contexto, ferramentas avançadas de diagnóstico podem melhorar a detecção e o tratamento precoces, e influenciar positivamente os resultados terapêuticos.[22] Além disso, é crucial considerar os impactos psicológicos e socioeconômicos tanto nos pacientes quanto nas suas famílias.[4]
Neste estudo, 59,3% dos pacientes foram submetidos a alguma intervenção cirúrgica, sendo a queiloplastia e a palatoplastia as mais frequentes. A queiloplastia, realizada entre 3 e 6 meses de idade, visa restaurar a estrutura e a função dos lábios, ao alinhar seus componentes e restabelecer a continuidade muscular.[23] [24] A palatoplastia, normalmente realizada por volta dos 10 meses de idade, visa restaurar a integridade palatina usando técnicas como a veloplastia intravelar e o fechamento do retalho do vômer.[23] [25] Esses procedimentos são fundamentais para restaurar tanto a funcionalidade quanto a estética, o que promove o desenvolvimento psicossocial.[6]
Além de melhorar a aparência facial, essas cirurgias melhoram a capacidade de fala e de alimentação, essenciais para a integração social e a qualidade de vida.[14] [26] Estudos[27] sugerem que o momento de realização e as técnicas das intervenções podem impactar significativamente os desfechos em longo prazo.
A personalização dos planos de tratamento é essencial, principalmente em casos mais complexos, como os de CRT ou CLT combinadas a outras anomalias. Uma classificação quantificada das fissuras auxilia no planejamento de estratégias individualizadas, o que garante uma eficácia maior do tratamento.[28] Pacientes com condições aparentemente semelhantes podem responder de forma diferente às intervenções, o que reforça a necessidade de abordagens personalizadas.[29]
Um estudo[30] com 2.475 pacientes constatou que comorbidades muitas vezes exigem reabilitação mais abrangente, o que destaca a necessidade de cuidados especializados contínuos. O manejo multidisciplinar é essencial para que sejam alcançados resultados satisfatórios, pois a falta de integração entre as especialidades pode comprometer a eficácia terapêutica.[10] Embora o tratamento individualizado seja uma prioridade, também é importante abordar o risco de fadiga do paciente, que pode afetar a adesão e o sucesso terapêuticos em longo prazo.
A abordagem multidisciplinar, bastante enfatizada na literatura,[31] é indispensável para uma reabilitação eficaz. A colaboração entre fonoaudiólogos, psicólogos e ortodontistas é crucial para assegurar a abordagem abrangente de aspectos funcionais, emocionais e sociais.[9] Esta abordagem holística é essencial para promover o desenvolvimento psicossocial e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.[32]
Por fim, este estudo destaca a importância de inquéritos epidemiológicos regionais como base para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes. A análise da distribuição dos tipos de fissura e do impacto das intervenções cirúrgicas traz informações valiosas para a otimização dos serviços oferecidos por centros especializados.[33] Esses dados são essenciais para alocar recursos de forma eficiente e desenvolver estratégias de prevenção e tratamento alinhadas às necessidades dos pacientes.
Conclusão
Este estudo identificou a predominância de CRT e CLT, particularmente em pacientes do sexo masculino, o que ressalta a necessidade de intervenções precoces e acompanhamento contínuo, em especial nos casos mais complexos. Observou-se que 59,3% dos pacientes já haviam sido submetidos a procedimentos cirúrgicos, como queiloplastia e palatoplastia, o que indica que muitos deles iniciam a reabilitação nos primeiros meses de vida. Esses achados reforçam a importância da abordagem multidisciplinar, que é essencial para abordar os aspectos funcionais e psicossociais de forma integrada, de modo a promover uma recuperação integral.
Os resultados ressaltam a importância dos inquéritos epidemiológicos regionais para orientar políticas públicas e otimizar o atendimento especializado, o que, em última análise, melhora a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
Conflito de Interesses
Os autores não têm conflito de interesses a declarar.
Contribuições dos Autores
BMSOS: conceituação, metodologia, validação, análise formal, investigação, curadoria de dados, redação – rascunho original, redação – revisão e edição, visualização, supervisão e aquisição de financiamento; RSB: conceituação, metodologia, validação, análise formal, investigação, curadoria de dados, redação – rascunho original, redação – revisão e edição, visualização, supervisão e aquisição de financiamento; TAS: metodologia, análise formal, investigação e redação – rascunho original; MFGB: metodologia, análise formal, investigação e redação – rascunho original; JJS: metodologia, investigação, curadoria de dados e redação – rascunho original; CAC: conceituação, metodologia, validação, análise formal, redação – rascunho original e redação – revisão e edição; MCO: conceituação, metodologia, validação, análise formal, redação – rascunho original, redação – revisão e edição, visualização, supervisão e administração do projeto.
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Fundamentals of Craniofacial Malformations. Vol. 1. Disease and Diagnostics. Cham:
Springer International Publishing; 2021: 99-142
MissingFormLabel
- 4
Nasreddine G,
El Hajj J,
Ghassibe-Sabbagh M.
Orofacial clefts embryology, classification, epidemiology, and genetics. Mutat Res
Rev Mutat Res 2021; 787: 108373
MissingFormLabel
- 5
Watanabe M,
Zhou CJ.
Introduction to the special issue on orofacial clefts. Birth Defects Res 2020; 112
(19) 1555-1557
MissingFormLabel
- 6
Yohana N,
Handoko H.
Understanding of speech production in cleft lip/palate: A review. Jurnal Arbitrer
2023; 10 (04) 437-446
MissingFormLabel
- 7
Babai A,
Irving M.
Orofacial clefts: Genetics of cleft lip and palate. Genes (Basel) 2023; 14 (08) 1603
MissingFormLabel
- 8
Castilho JF,
Ribeiro IC,
Andrade ALCA,
Oliveira DD,
Lima IL.
Multidisciplinary treatment in a patient with Bilateral cleft lip and palate: A case
report. Iran J Orthod 2024; 19 (02) 1-12
MissingFormLabel
- 9
Arcila LVC,
Gomes LCL,
Travassos A,
Fernandes VVB,
Nascimento RD,
Ursi W.
Multidisciplinary action in a patient with cleft lip and palate: Esthetic-functional
dentofacial treatment for more than two decades. Braz Dent Sci 2023; 26 (02) e3801
MissingFormLabel
- 10
Kaiser JK,
Kamble RH,
Nambiar K,
Nerurkar S,
Suchak D.
Comprehensive multidisciplinary management of bilateral cleft lip and palate. Cureus
2024; 16 (01) e52643
MissingFormLabel
- 11
Oliveira ACBd,
Silva AMd,
Amorim M,
Pires ALPV,
Lisboa LdJ,
Calumby RT,
Freitas VS.
Epidemiological profile and prevalence of live-borns with orofacial fissures in Brazil
between 1999 and 2017. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2022; 134 (03) e210
MissingFormLabel
- 12
Alcon A,
Verzella A,
Brydges H,
Laspro M,
Cassidy M,
Chaya B.
et al.
The impact of geographic and socio-demographic factors on the incidence of orofacial
clefts in the United States. Plast Reconstr Surg Glob Open 2023; 11 (10 Suppl): 59-60
MissingFormLabel
- 13
Rodrigues R,
Fernandes MH,
Monteiro AB,
Furfuro R,
Sequeira T,
Silva CC,
Manso MC.
SPINA classification of cleft lip and palate: A suggestion for a complement. Arch
Pediatr 2018; 25 (07) 439-441
MissingFormLabel
- 14
Worley ML,
Patel KG,
Kilpatrick LA.
Cleft lip and palate. Clin Perinatol 2018; 45 (04) 661-678
MissingFormLabel
- 15
Boriollo MFG,
Oliveira MC,
Bassinello V,
Aníbal PC,
Silva TAd,
Silva JJd.
et al.
Candida species biotypes and polyclonality of potentially virulent Candida albicans
isolated from oral cavity of patients with orofacial clefts. Clin Oral Investig 2022;
26 (03) 3061-3084
MissingFormLabel
- 16
Saha N,
Das M,
Zahir S,
Santra A.
A retrospective study on clinical and epidemiological profile of nonsyndromic cleft
lip and palate patients admitted in a large comprehensive cleft care centre in West
Bengal, India. J Cleft Lip Palate Craniofacial Anomalies 2023; 10 (01) 9-13
MissingFormLabel
- 17
Ashwinirani SR,
Suragimath G.
Association of cleft lip and palate with predisposing factors. BLDE Univ J Health
Sci. 2022; 7 (01) 110-114
MissingFormLabel
- 18
Vendramin AV,
Steinkirch CLV,
Czarnobay GT,
Rebello MGRM,
Ton WS,
Gamborgi MA,
Nisihara R.
Epidemiological profile of children and adolescents with oral cleft treated at a referral
center in Curitiba, PR, Brazil. Rev Bras Cir Plást 2017; 32 (03) 321-327
MissingFormLabel
- 19
Rollemberg EV,
Pires TO,
Moraes GN,
Rios LR,
Machado LG,
Da-Silva MD,
Parreira DR.
Epidemiological profile of patients with cleft lip and palate in a reference service
in the Federal District. Rev Bras Cir Plást 2019; 34: 94-100
MissingFormLabel
- 20
Chauhan JS,
Sharma S.
Morphological presentation of orofacial clefts: An epidemiological study of 5004 patients
in a tertiary care hospital of Central India. Cleft Palate Craniofac J 2023; 60 (02)
219-224
MissingFormLabel
- 21
Gustafsson C,
Heliövaara A,
Rautio J,
Leikola J.
Long-term follow-up of bilateral cleft lip and palate: Incidence of speech-correcting
surgeries and fistula formation. Cleft Palate Craniofac J 2023; 60 (10) 1241-1249
MissingFormLabel
- 22
Baeza-Pagador A,
Tejero-Martínez A,
Salom-Alonso L,
Camañes-Gonzalvo S,
García-Sanz V,
Paredes-Gallardo V.
Diagnostic methods for the prenatal detection of cleft lip and palate: A systematic
review. J Clin Med 2024; 13 (07) 2090
MissingFormLabel
- 23
Dhooghe N,
Verhelst P,
Vandenbosch K,
Engelen B,
Vanderhaeghe F,
Nagy K.
et al.
Chirurgische behandeling lip-en verhemeltespleet. Tijdschrift voor Geneeskunde en
Gezondheidszorg 2023; 79 (06) 493-502
MissingFormLabel
- 24
Fell M,
Davies A,
Davies A,
Chummun S,
Cobb ARM,
Moar K,
Wren Y.
Current surgical practice for children born with a cleft lip and/or palate in the
United Kingdom. Cleft Palate Craniofac J 2023; 60 (06) 679-688
MissingFormLabel
- 25
Ardouin K,
Davis N,
Stock NM.
Expanding support services for adults born with cleft lip and/or palate in the United
Kingdom: An exploratory evaluation of the Cleft Lip and Palate Association Adult Services
Programme. Cleft Palate Craniofac J 2022; 59 (4_suppl2, suppl2) S48-S56
MissingFormLabel
- 26
Umedjonovich LJ,
Dastamovich ID.
The use of modern orthodontic and surgical technologies in the comprehensive rehabilitation
of children with congenital cleft of the upper lip, alveolar process, and palate.
Eur Int J Multidiscip Res Manag Stud. 2024; 4 (04) 21-26
MissingFormLabel
- 27
Tiaraningrum RRK,
Dharmawan MS,
Yatindra IACD,
Rooseno RRN.
The effects of early and delayed palatal repair on maxillary growth and speech outcome
in unilateral cleft lip and palate patients: A systematic review. J Anestesi 2024;
2 (03) 146-155
MissingFormLabel
- 28
Gutierrez-Sanchez B,
Maya-Behar J,
Cerda RM,
Ortiz-Posadas MR.
A surgical complexity factor for clefts of primary and secondary palates. Annu Int
Conf IEEE Eng Med Biol Soc 2023; 2023: 1-4
MissingFormLabel
- 29
Van der Horst C.
Personalized health care for orofacial cleft patients. In:
Nico Van Weert N,
Hazelzet J.
editors.
Personalized Specialty Care: Value-Based Healthcare Frontrunners from the Netherlands.
1st ed.. Cham: Springer International Publishing; 2021: 41-47
MissingFormLabel
- 30
Rogozhina YS,
Blokhina SI,
Bimbas ES.
On the issue of surgical treatment of patients with congenital orofacial clefts combined
with other organ and system comorbidities. Pediatr Dent Dent Prophylaxis 2023; 23
(03) 281-294
MissingFormLabel
- 31
Matos JDMd,
Nakano LJN,
Rodrigues AG,
Pinto AD,
Grande MFB,
Lopes GdRS,
Andrade VC.
Orofacial clefts: Treatment based on a multidisciplinary approach. Arch Health Invest.
2020; 9 (05) 468-473
MissingFormLabel
- 32
Bous RM,
Kumar A,
Valiathan M.
Multidisciplinary rehabilitation of an adult with a cleft lip and palate: An illustration
of a dental substitution approach for the management of unilateral agenesis of central
and lateral incisors. FACE 2021; 2 (01) 30-38
MissingFormLabel
- 33
Parham MJ,
Simpson AE,
Moreno TA,
Maricevich RS.
Updates in cleft care. Semin Plast Surg 2023; 37 (04) 240-252
MissingFormLabel
Endereço para correspondência
Publication History
Received: 13 October 2024
Accepted: 20 May 2025
Article published online:
27 August 2025
© 2025. The Author(s). This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution 4.0 International License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)
Thieme Revinter Publicações Ltda.
Rua Rego Freitas, 175, loja 1, República, São Paulo, SP, CEP 01220-010, Brazil
Bárbara Morena Soares Oliveira Santos, Rodrigo Sousa Brandão, Thaísla Andrielle da Silva, Jeferson Júnior da Silva, Marcelo Fabiano Gomes Boriollo, Cezar Augusto Casotti, Mateus Cardoso Oliveira. Epidemiologia e abordagem multidisciplinar nas fissuras orofaciais: Características clínicas e padrões de reabilitação. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2025; 40: s00451811176.
DOI: 10.1055/s-0045-1811176
-
Referências
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MissingFormLabel
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Zhang B,
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of the Global Burden of Disease Study 2019. Ann Med 2023; 55 (01) 2215540
MissingFormLabel
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El Hajj J,
Ghassibe-Sabbagh M.
Orofacial clefts embryology, classification, epidemiology, and genetics. Mutat Res
Rev Mutat Res 2021; 787: 108373
MissingFormLabel
- 5
Watanabe M,
Zhou CJ.
Introduction to the special issue on orofacial clefts. Birth Defects Res 2020; 112
(19) 1555-1557
MissingFormLabel
- 6
Yohana N,
Handoko H.
Understanding of speech production in cleft lip/palate: A review. Jurnal Arbitrer
2023; 10 (04) 437-446
MissingFormLabel
- 7
Babai A,
Irving M.
Orofacial clefts: Genetics of cleft lip and palate. Genes (Basel) 2023; 14 (08) 1603
MissingFormLabel
- 8
Castilho JF,
Ribeiro IC,
Andrade ALCA,
Oliveira DD,
Lima IL.
Multidisciplinary treatment in a patient with Bilateral cleft lip and palate: A case
report. Iran J Orthod 2024; 19 (02) 1-12
MissingFormLabel
- 9
Arcila LVC,
Gomes LCL,
Travassos A,
Fernandes VVB,
Nascimento RD,
Ursi W.
Multidisciplinary action in a patient with cleft lip and palate: Esthetic-functional
dentofacial treatment for more than two decades. Braz Dent Sci 2023; 26 (02) e3801
MissingFormLabel
- 10
Kaiser JK,
Kamble RH,
Nambiar K,
Nerurkar S,
Suchak D.
Comprehensive multidisciplinary management of bilateral cleft lip and palate. Cureus
2024; 16 (01) e52643
MissingFormLabel
- 11
Oliveira ACBd,
Silva AMd,
Amorim M,
Pires ALPV,
Lisboa LdJ,
Calumby RT,
Freitas VS.
Epidemiological profile and prevalence of live-borns with orofacial fissures in Brazil
between 1999 and 2017. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2022; 134 (03) e210
MissingFormLabel
- 12
Alcon A,
Verzella A,
Brydges H,
Laspro M,
Cassidy M,
Chaya B.
et al.
The impact of geographic and socio-demographic factors on the incidence of orofacial
clefts in the United States. Plast Reconstr Surg Glob Open 2023; 11 (10 Suppl): 59-60
MissingFormLabel
- 13
Rodrigues R,
Fernandes MH,
Monteiro AB,
Furfuro R,
Sequeira T,
Silva CC,
Manso MC.
SPINA classification of cleft lip and palate: A suggestion for a complement. Arch
Pediatr 2018; 25 (07) 439-441
MissingFormLabel
- 14
Worley ML,
Patel KG,
Kilpatrick LA.
Cleft lip and palate. Clin Perinatol 2018; 45 (04) 661-678
MissingFormLabel
- 15
Boriollo MFG,
Oliveira MC,
Bassinello V,
Aníbal PC,
Silva TAd,
Silva JJd.
et al.
Candida species biotypes and polyclonality of potentially virulent Candida albicans
isolated from oral cavity of patients with orofacial clefts. Clin Oral Investig 2022;
26 (03) 3061-3084
MissingFormLabel
- 16
Saha N,
Das M,
Zahir S,
Santra A.
A retrospective study on clinical and epidemiological profile of nonsyndromic cleft
lip and palate patients admitted in a large comprehensive cleft care centre in West
Bengal, India. J Cleft Lip Palate Craniofacial Anomalies 2023; 10 (01) 9-13
MissingFormLabel
- 17
Ashwinirani SR,
Suragimath G.
Association of cleft lip and palate with predisposing factors. BLDE Univ J Health
Sci. 2022; 7 (01) 110-114
MissingFormLabel
- 18
Vendramin AV,
Steinkirch CLV,
Czarnobay GT,
Rebello MGRM,
Ton WS,
Gamborgi MA,
Nisihara R.
Epidemiological profile of children and adolescents with oral cleft treated at a referral
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MissingFormLabel
- 19
Rollemberg EV,
Pires TO,
Moraes GN,
Rios LR,
Machado LG,
Da-Silva MD,
Parreira DR.
Epidemiological profile of patients with cleft lip and palate in a reference service
in the Federal District. Rev Bras Cir Plást 2019; 34: 94-100
MissingFormLabel
- 20
Chauhan JS,
Sharma S.
Morphological presentation of orofacial clefts: An epidemiological study of 5004 patients
in a tertiary care hospital of Central India. Cleft Palate Craniofac J 2023; 60 (02)
219-224
MissingFormLabel
- 21
Gustafsson C,
Heliövaara A,
Rautio J,
Leikola J.
Long-term follow-up of bilateral cleft lip and palate: Incidence of speech-correcting
surgeries and fistula formation. Cleft Palate Craniofac J 2023; 60 (10) 1241-1249
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- 22
Baeza-Pagador A,
Tejero-Martínez A,
Salom-Alonso L,
Camañes-Gonzalvo S,
García-Sanz V,
Paredes-Gallardo V.
Diagnostic methods for the prenatal detection of cleft lip and palate: A systematic
review. J Clin Med 2024; 13 (07) 2090
MissingFormLabel
- 23
Dhooghe N,
Verhelst P,
Vandenbosch K,
Engelen B,
Vanderhaeghe F,
Nagy K.
et al.
Chirurgische behandeling lip-en verhemeltespleet. Tijdschrift voor Geneeskunde en
Gezondheidszorg 2023; 79 (06) 493-502
MissingFormLabel
- 24
Fell M,
Davies A,
Davies A,
Chummun S,
Cobb ARM,
Moar K,
Wren Y.
Current surgical practice for children born with a cleft lip and/or palate in the
United Kingdom. Cleft Palate Craniofac J 2023; 60 (06) 679-688
MissingFormLabel
- 25
Ardouin K,
Davis N,
Stock NM.
Expanding support services for adults born with cleft lip and/or palate in the United
Kingdom: An exploratory evaluation of the Cleft Lip and Palate Association Adult Services
Programme. Cleft Palate Craniofac J 2022; 59 (4_suppl2, suppl2) S48-S56
MissingFormLabel
- 26
Umedjonovich LJ,
Dastamovich ID.
The use of modern orthodontic and surgical technologies in the comprehensive rehabilitation
of children with congenital cleft of the upper lip, alveolar process, and palate.
Eur Int J Multidiscip Res Manag Stud. 2024; 4 (04) 21-26
MissingFormLabel
- 27
Tiaraningrum RRK,
Dharmawan MS,
Yatindra IACD,
Rooseno RRN.
The effects of early and delayed palatal repair on maxillary growth and speech outcome
in unilateral cleft lip and palate patients: A systematic review. J Anestesi 2024;
2 (03) 146-155
MissingFormLabel
- 28
Gutierrez-Sanchez B,
Maya-Behar J,
Cerda RM,
Ortiz-Posadas MR.
A surgical complexity factor for clefts of primary and secondary palates. Annu Int
Conf IEEE Eng Med Biol Soc 2023; 2023: 1-4
MissingFormLabel
- 29
Van der Horst C.
Personalized health care for orofacial cleft patients. In:
Nico Van Weert N,
Hazelzet J.
editors.
Personalized Specialty Care: Value-Based Healthcare Frontrunners from the Netherlands.
1st ed.. Cham: Springer International Publishing; 2021: 41-47
MissingFormLabel
- 30
Rogozhina YS,
Blokhina SI,
Bimbas ES.
On the issue of surgical treatment of patients with congenital orofacial clefts combined
with other organ and system comorbidities. Pediatr Dent Dent Prophylaxis 2023; 23
(03) 281-294
MissingFormLabel
- 31
Matos JDMd,
Nakano LJN,
Rodrigues AG,
Pinto AD,
Grande MFB,
Lopes GdRS,
Andrade VC.
Orofacial clefts: Treatment based on a multidisciplinary approach. Arch Health Invest.
2020; 9 (05) 468-473
MissingFormLabel
- 32
Bous RM,
Kumar A,
Valiathan M.
Multidisciplinary rehabilitation of an adult with a cleft lip and palate: An illustration
of a dental substitution approach for the management of unilateral agenesis of central
and lateral incisors. FACE 2021; 2 (01) 30-38
MissingFormLabel
- 33
Parham MJ,
Simpson AE,
Moreno TA,
Maricevich RS.
Updates in cleft care. Semin Plast Surg 2023; 37 (04) 240-252
MissingFormLabel















