Open Access
CC BY 4.0 · Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2025; 40: s00451807281
DOI: 10.1055/s-0045-1807281
Artigo Original

Avaliação de uma tática cirúrgica na prevenção de fístula oronasal durante a palatoplastia em pacientes fissurados

Article in several languages: português | English
1   Serviço de Cirurgia Plástica, Hospital Santa Izabel, Salvador, BA, Brasil
,
Elizabeth Castineira Fernandes
1   Serviço de Cirurgia Plástica, Hospital Santa Izabel, Salvador, BA, Brasil
,
1   Serviço de Cirurgia Plástica, Hospital Santa Izabel, Salvador, BA, Brasil
› Author Affiliations

Suporte Financeiro Os autores declaram que não receberam suporte financeiro de agências dos setores público, privado ou sem fins lucrativos para a realização deste estudo.
Ensaios Clínicos Nenhum. | Clinical Trials None.
 

Resumo

A fístula oronasal é uma complicação comum em cirurgias de reparo da fissura palatina, e representa um desafio devido à escassez de tecido na região afetada. A incidência dessa complicação varia de 3% a 46%, sendo mais prevalente na região III da classificação de Pittsburgh, que corresponde à junção entre os palatos duro e mole. Este estudo tem como objetivo avaliar uma tática cirúrgica para reduzir a incidência de fístulas oronasais. Realizou-se um estudo retrospectivo com 142 pacientes consecutivos submetidos à palatoplastia entre janeiro de 2018 e junho de 2024 no Hospital Santa Izabel, utilizando a técnica de 2 retalhos associada a uma tática para reduzir a tensão da sutura. Foram analisados fatores como tipo de fissura (pela classificação de Veau), idade à cirurgia, sexo, tamanho da fissura e incidência de fístulas (conforme a classificação de Pittsburgh). A incidência de fistulas oronasais foi de 1,4%, significativamente menor do que a relatada na literatura, sem ocorrência de fístulas na zona III, onde são mais frequentes. A tática mostrou-se eficaz na redução da formação de fístulas, mesmo em pacientes com fissuras amplas e comorbidades associadas, o que evidencia a sua viabilidade e os benefícios para a prática clínica.


Introdução

Fístula oronasal (FON) é uma complicação que todos os cirurgiões buscam evitar devido à sua complexidade e à necessidade de reoperações em palatos previamente operados, além de suas implicações no desenvolvimento facial e na fala. A FON é definida como a falha no processo de cicatrização após a primeira cirurgia de reparo do palato, o que resulta em uma abertura patente entre as cavidades oral e nasal.

A incidência de FON varia amplamente na literatura, de 3 a 46%.[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] [19] [20] [21] [22] [23] [24] [25] [26] [27] [28] Em uma revisão recente,[29] a incidência foi relatada entre 6,4 e 8,6%. A classificação de Pittsburgh[30] é utilizada para categorizar a localização da FON em sete tipos: I) úvula; II) palato mole; III) junção dos palatos mole e duro; IV) palato duro; V) junção dos palatos primário e secundário; VI) alveolar lingual; e VII) alveolar labial. Uma meta-análise[6] com incidência de FON de 6,9% demonstrou a ocorrência de fístulas segundo a classificação de Pittsburgh: tipo I – 0%; tipo II –15,7%; tipo III – 50%; e tipo IV – 32,6%.

Apesar de haver diversas técnicas cirúrgicas disponíveis para a palatoplastia, a literatura ainda carece de consenso sobre a abordagem ideal para prevenir a formação de FON. Uma meta-análise[31] indicou que não há diferença estatisticamente significativa entre as técnicas de palatoplastia e a incidência de FON. As técnicas mais utilizadas apresentam as seguintes taxas de fístula: furlow – 6,6%; duplo retalho – 5,1%; Wardill Kilner – 12,5%; von Langenbeck – 11,5%; Sommerland – 14,3%; outras – 6,7%.

Embora muitos estudos destaquem a experiência do cirurgião como um fator associado à menor incidência de FON, outros não encontram significância estatística.[3] [32] O tipo de fissura palatina está associado à incidência de FON.[19] De acordo com a classificação de Veau, observa-se que, quanto maior o grau, maior o risco de FON,[9] com aumento de 2,64 vezes no índice de FON correspondente ao aumento na classificação de Veau. Há consenso na literatura[25] [31] [33] [34] [35] [36] [37] [38] [39] quanto a três aspectos importantes: a tensão da sutura como fator principal para a formação de FON, a relação entre a largura da fissura e a quantidade de tecido palatino disponível para reconstrução, e que dissecções palatinas mais agressivas e incisões relaxantes laterais podem reduzir a tensão da sutura, o que diminui a incidência de FON.


Objetivo

Este estudo tem como objetivo avaliar uma tática cirúrgica para reduzir a incidência de FON, especialmente na zona III de Pittsburgh, onde a incidência é mais pronunciada.


Materiais e Métodos

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Santa Izabel, em Salvador, Bahia, onde foi realizado. Trata-se de um estudo retrospectivo que envolveu 142 pacientes consecutivos submetidos à palatoplastia primária entre janeiro de 2018 e junho de 2024, período no qual a nova tática cirúrgica foi introduzida. Todos os pacientes com fissura palatina e labial sem cirurgia prévia no palato foram incluídos, independentemente de apresentarem comorbidades ou síndromes associadas.

Os pacientes foram estratificados de acordo com o tipo de fissura segundo a classificação de Veau, sexo, idade no momento da cirurgia e largura da fissura, medida por meio de fotografias pré-operatórias; calculamos também a razão a/b da largura, em que “a” é a largura da fissura e “b” é a largura do forame da artéria palatina maior. A incidência de fístula foi avaliada segundo a classificação de Pittsburgh. Todos os pacientes foram operados pelo mesmo cirurgião, que utilizou a técnica de dois retalhos para a palatoplastia,[40] e os pacientes foram avaliados 30 dias após a cirurgia.

A nova tática cirúrgica foi projetada para reduzir a tensão na sutura na zona III de Pittsburgh, onde ocorrem 50% das fístulas. A zona III é uma área de transição entre os palatos duro e mole, com tecidos finos geralmente suturados em dois planos: um na mucosa nasal e outro na mucosa oral. O método proposto introduz um terceiro plano de sutura no periósteo, tecido mais resistente à tração, com um ou dois pontos em “U” utilizando Vicryl 4.0 ([Figs. 1] [2] [3]).

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Fig. 1 Marcada com azul de metileno, a porção distal do palato após o descolamento do retalho mucoperiosteal. Ao retornar o retalho à sua posição, a porção distal do periósteo é marcada, e indica onde a sutura da terceira camada deve ser realizada.
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Fig. 2 Marcada com azul de metileno, a porção distal do palato contralateral após o descolamento do retalho mucoperiosteal. Ao reposicionar o retalho, a porção distal do periósteo é marcada, e indica onde a sutura da terceira camada deve ser realizada.
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Fig. 3 Realização da sutura no periósteo previamente marcado com azul de metileno.

A palatoplastia foi realizada sob anestesia geral, utilizando a técnica de dois retalhos mucoperiosteais com veloplastia intravelar, seguindo os princípios de Sommerland[41] e com incisões relaxantes laterais. A sutura foi aplicada à mucosa nasal e à musculatura, com introdução do terceiro plano de sutura na zona de transição, utilizando um a dois pontos em “U” no plano do periósteo na porção distal do retalho mucoperiosteal. O fechamento da mucosa oral foi então realizado, e material hemostático foi colocado nas áreas cruentas. Os pacientes foram mantidos em dieta líquida por 7 dias, sem restrição de movimento das mãos e braços.


Resultados

Dos 142 pacientes, 59 eram do sexo feminino e 83, do sexo masculino. De acordo com a classificação de Veau, os resultados foram: tipo I – 7,04%; tipo II – 8,42%; tipo III – 61,26%; e tipo IV – 23,23%. A maioria dos pacientes (73,23%) foi operada com menos de 24 meses de idade, ao passo que 15,49% foram operados entre 24 e 47 meses, e 11,26% tinham mais de 48 meses. A razão de largura da fissura foi < 0,40 em 83,09% dos pacientes e > 0,40 em 16,09%.

Tabela 1

Classificação de Veau

Sexo

Idade à cirurgia (meses)

Razão da largura fenda

Masculino

Feminino

< 24

24–48

> 40

< 40

≥ 40

Tipo I (n)

10

6

4

10

0

0

10

0

Tipo II (n)

12

7

5

6

5

1

9

3

Tipo III (n)

87

55

32

67

11

9

80

7

Tipo IV (n)

33

20

13

21

6

6

19

14

A incidência total de FON foi de 1,4%, observada em 2 pacientes, classificados com Veau tipo IV, que tinham menos de 24 meses de idade, apresentavam uma razão de largura da fissura maior que 0,40, e as fístulas estavam na zona II.

Uma análise adicional revelou que um dos pacientes apresentava um distúrbio comportamental com movimentos repetitivos mão-boca, conforme relatado pela mãe. No segundo caso, foi observada uma fossa velopalatina nas fotos pré-operatórias, e uma dissecção inadequada contribuiu para a formação da fístula pelo cirurgião ([Figs. 4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11]).

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Fig. 4 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40, pré-operatório.
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Fig. 5 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40, pós-operatório.
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Fig. 6 Paciente de grau III de Veau: razão ≥ 40 , pré-operatório.
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Fig. 7 Paciente de grau III de Veau: razão ≥ 40 , pós-operatório.
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Fig. 8 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40 , pré-operatório.
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Fig. 9 Paciente de grau II de Veau; razão ≥ 40 , transoperatório. Observam-se a área de maior tensão dos retalhos, e a realização do terceiro plano de sutura.
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Fig. 10 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40, trans operatório, com a realização de 2 pontos em “U” na porção distal do periósteo e sutura da mucosa oral.
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Fig. 11 Paciente de grau II de Veau: razão maior do que 40, pós-operatório.

Discussão

A prevenção eficaz da FON ainda é um objetivo crucial na prática da palatoplastia. O fechamento da FON geralmente resulta em mais cicatrização na região do palato e nas áreas adjacentes, além de submeter o paciente a procedimentos cirúrgicos adicionais. Independentemente da técnica cirúrgica utilizada para o fechamento do palato fissurado, a incidência de FON persiste. Alguns estudos sugerem que a experiência do cirurgião está associada a menores taxas de FON, ao passo que outros não encontram diferença estatística.

A distribuição de sexo e idade dos pacientes submetidos à cirurgia permanece consistente com as de outros estudos publicados. Com relação às causas de formação da FON, o tipo de fissura é um fator significativo, com risco aumentado de acordo com a classificação de Veau. O tamanho da fissura e a quantidade de tecido disponível para o fechamento estão diretamente relacionados à tensão na sutura, que se torna um importante preditor para a FON. As incisões relaxantes laterais são essenciais para reduzir a tensão. Embora 16,09% dos pacientes deste estudo apresentassem uma medição alta da largura da fissura, a introdução do terceiro plano de sutura resultou em baixas taxas de FON, demonstrando sua eficácia.

A zona III de Pittsburgh, localizada na junção entre os palatos duro e mole, apresenta a maior taxa de FON devido à alta tensão da sutura e aos tecidos finos. A introdução do terceiro plano de sutura no periósteo na zona III representou uma tentativa inovadora de minimizar a tensão nos retalhos mucoperiosteais, considerada um fator crítico na falha de cicatrização. A distribuição da força de tensão da sutura por uma maior quantidade de tecido periostal pode ter contribuído para a redução significativa da incidência de FON observada neste estudo.

Os casos de fístula na Zona II foram analisados, e identificou-se um distúrbio comportamental em um dos casos, com diagnóstico de autismo leve e relatos maternos de movimentos repetitivos mão-boca. No segundo caso, uma fossa velopalatina foi notada nas fotos pré-operatórias, o que indicava dissecção inadequada como causa da fístula. É crucial analisar individualmente os casos de FON para entender os fatores contribuintes e aprimorar a abordagem cirúrgica para reduzir sua incidência.


Conclusão

A tática cirúrgica introduzida apresentou resultados importantes na redução da incidência de FON em pacientes submetidos à palatoplastia primária. Embora os resultados sejam encorajadores, estudos prospectivos adicionais são necessários para validar esses achados. A implementação de estratégias cirúrgicas e a análise de fatores individuais que contribuem para a formação de FON são essenciais para melhorar ainda mais os resultados cirúrgicos.



Conflito de Interesses

Os autores não têm conflito de interesses a declarar.

Contribuições dos Autores

GLU: análise e/ou interpretação dos dados, aprovação final do manuscrito e redação – revisão & edição; ECF: coleta de dados e metodologia; e LGU: análise e/ou interpretação dos dados e redação – preparação do original.


Número do comitê de ética

CAAE 74866323.5.0000.5520.


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Address for correspondence

Géza Lászlo Urményi
Serviço de Cirurgia Plástica, Hospital Santa Izabel
Salvador, BA
Brasil   

Publication History

Received: 15 December 2024

Accepted: 06 February 2025

Article published online:
14 May 2025

© 2025. The Author(s). This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution 4.0 International License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)

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Bibliographical Record
Géza Lászlo Urményi, Elizabeth Castineira Fernandes, Lucas Gábor Urményi. Avaliação de uma tática cirúrgica na prevenção de fístula oronasal durante a palatoplastia em pacientes fissurados. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2025; 40: s00451807281.
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Fig. 1 Marcada com azul de metileno, a porção distal do palato após o descolamento do retalho mucoperiosteal. Ao retornar o retalho à sua posição, a porção distal do periósteo é marcada, e indica onde a sutura da terceira camada deve ser realizada.
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Fig. 2 Marcada com azul de metileno, a porção distal do palato contralateral após o descolamento do retalho mucoperiosteal. Ao reposicionar o retalho, a porção distal do periósteo é marcada, e indica onde a sutura da terceira camada deve ser realizada.
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Fig. 3 Realização da sutura no periósteo previamente marcado com azul de metileno.
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Fig. 1 The distal portion of the palate (marked with methylene blue) after detachment of the mucoperiosteal flap. When repositioning the flap, we marked the distal portion of the periosteum, indicating the point for the third suture layer.
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Fig. 2 The distal portion of the contralateral palate (marked with methylene blue) after detachment of the mucoperiosteal flap. When repositioning the flap, we marked the distal portion of the periosteum, indicating the point for the third suture layer.
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Fig. 3 Performance of the suture on the periosteum previously marked with methylene blue.
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Fig. 4 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40, pré-operatório.
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Fig. 5 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40, pós-operatório.
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Fig. 6 Paciente de grau III de Veau: razão ≥ 40 , pré-operatório.
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Fig. 7 Paciente de grau III de Veau: razão ≥ 40 , pós-operatório.
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Fig. 8 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40 , pré-operatório.
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Fig. 9 Paciente de grau II de Veau; razão ≥ 40 , transoperatório. Observam-se a área de maior tensão dos retalhos, e a realização do terceiro plano de sutura.
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Fig. 10 Paciente de grau II de Veau: razão ≥ 40, trans operatório, com a realização de 2 pontos em “U” na porção distal do periósteo e sutura da mucosa oral.
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Fig. 11 Paciente de grau II de Veau: razão maior do que 40, pós-operatório.
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Fig. 4 Patient with Veau grade II, ratio ≥ 40, preoperative period.
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Fig. 5 Patient with Veau grade II, ratio ≥ 40, postoperative period.
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Fig. 6 Patient with Veau grade III, ratio ≥ 40, preoperative period.
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Fig. 7 Patient with Veau grade III, ratio ≥ 40, postoperative period.
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Fig. 8 Patient with Veau grade II, ratio ≥ 40, preoperative period.
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Fig. 9 Patient with Veau grade II, ratio ≥ 40, intraoperative period. Note the area of highest flap tension when performing the third-plane suture.
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Fig. 10 Patient with Veau grade II, ratio ≥ 40, intraoperative period. Note the two U-shaped sutures at the oral mucosa in the distal portion of the periosteum.
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Fig. 11 Patient with Veau grade II, ratio ≥ 40, postoperative period.