CC BY-NC-ND 4.0 · Rev Bras Ortop (Sao Paulo) 2020; 55(05): 605-611
DOI: 10.1055/s-0040-1702952
Artigo Original
Mão

Avaliação radiográfica dos pacientes submetidos a fixação percutânea com parafuso maciço para tratamento de fraturas da extremidade distal do radio[*]

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1  Serviço de Ortopedia e Traumatologia, Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
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Resumo

Objetivo Apresentar o resultado das avaliações radiográficas dos pacientes com fraturas extra-articulares do rádio distal submetidos a fixação percutânea com parafuso maciço de 3.5mm.

Métodos Série de casos, analítica, descritiva e retrospectiva de 16 pacientes com avaliação dos parâmetros radiográficos da técnica utilizada.

Resultados A média de idade da população estudada foi de 46,5 anos (25–60 anos), sendo 81,25% do sexo feminino. O tempo de espera até a cirurgia foi de 8,8 dias (4–14 dias). O tilt volar médio pré-procedimento foi - 7,41° (−23,48°–5,29°, desvio padrão [DP] ± 6,59°). O tilt volar imediatamente após o procedimento cirúrgico foi de 5,93° (DP ± 6,23°, p < 0,001). Sem diferença estatística nos valores de tilt volar ao final de 6 meses de evolução. A altura radial pré-procedimento foi de 4,13 mm (−7,8°–9,5°, DP ± 5,06°). Aumento estatisticamente significativo no pós-operatório imediato para 10,04 mm (p = 0,002). Redução significativa ao final de 6 meses para 9,55 mm (p = 0,012). Atingimos 100% de consolidação com a técnica utilizada, com índice mínimo de complicações. Nenhum paciente apresentou infecção ou precisou ser reoperado.

Conclusão A técnica mostrou-se eficaz para o tratamento de fraturas extra-articulares da extremidade distal do rádio ao final de 6 meses, com baixo índice de complicações e parâmetros radiográficos aceitáveis e próximos dos valores anatômicos.


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Introdução

As fraturas do rádio distal estão entre as principais lesões de extremidades, compondo ∼ 17% do total das fraturas de extremidade.[1] Estima-se que nos Estados Unidos ocorram 640.000 casos anualmente,[2] embora no Brasil ainda não existam estudos demográficos que evidenciem a real magnitude destas lesões. Acidentes em alta velocidade e a queda de altura estão entre as causas mais frequentes, e os mecanismos mais comuns envolvem o trauma com o punho em hiperextensão ou em flexão.[3] [4]

Dentre as opções de tratamento para as fraturas do rádio distal, o tratamento conservador é indicado quando possível a redução da fratura, mantendo-a estável com imobilização gessada, ou quando o paciente não possuir condições clínicas para correção cirúrgica. Já o tratamento operatório é indicado para as fraturas instáveis, intra-articulares e cominutivas.[1] [4]

Apesar do avanço e da diversidade de opções dentre as técnicas cirúrgicas nos últimos anos, o tratamento das fraturas da extremidade distal do rádio ainda é assunto controverso.[4] [5] A redução fechada com a fixação de fios de Kirschner percutâneos tem sido o método de tratamento mais comum para fraturas extra-articulares instáveis do rádio distal.[4] [5] No entanto, as limitações e complicações específicas diminuíram sua indicação. A falta de estabilidade, a necessidade de imobilização restritiva, a irritação da pele, a infecção do trajeto dos fios e até lesões nervosas são complicações que podem limitar o sucesso do período de reabilitação pós-operatório. Além disso, até 44% dos casos podem evoluir com complicações tardias a partir deste procedimento, como migração ou fratura do material, além de consolidação viciosa da fratura.[1] [6]

Nos últimos 10 anos, novas opções terapêuticas tecnológicas vêm ganhando destaque. Dentre elas, o tratamento cirúrgico com redução aberta e fixação com placa de bloqueio volar tornou-se um método de tratamento popular para a maioria dos padrões de fratura, pois pode fornecer estabilização rígida, movimentação precoce e recuperação funcional mais rápida. Contudo, apesar das vantagens citadas, esta forma de tratamento apresenta dissecção significativa de tecidos moles, taxas de complicações moderadas e tempo cirúrgico mais longo.[7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14]

No entanto, ainda existem diferentes formas de fixação para fraturas da extremidade distal do rádio, especialmente para as lesões extra-articulares, sem os mesmos riscos de uma cirurgia aberta. A substituição dos fios de Kirschner por parafusos canulados e maciços na cirurgia percutânea tem evidenciado desfechos superiores, menor agressão cirúrgica, menor tempo de imobilização rígida no pós-operatório e menor número de complicações tardias, além de resultados semelhantes aos da placa de bloqueio volar.[2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] Diferentemente das outras técnicas percutâneas descritas na literatura, descrevemos uma técnica de fixação utilizando um único parafuso maciço de 3.5 mm para tratamento de fraturas extra-articulares da extremidade distal do rádio.


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Materiais e Métodos

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o número CAAE 00854018.3.0000.5335. Os critérios de inclusão e exclusão estão apresentados na [Tabela 1]. Foram incluídos todos os pacientes submetidos à fixação de fratura extra-articular da extremidade distal do rádio com um parafuso maciço de 3.5 mm no período de outubro de 2016 a dezembro de 2018. O número total da amostra válida foi de 16 pacientes. Tivemos um paciente excluído por não completar o seguimento mínimo necessário de 6 meses. Foram realizadas avaliações radiográficas no pré-operatório, no pós-operatório imediato e com 6 meses de pós-operatório. Os dados radiográficos coletados foram o tilt voltar (em graus) e a altura radial (em mm).

Tabela 1

Critérios de Inclusão

Critérios de Exclusão

Idade entre 18 e 60 anos

Fraturas complexas extra- e intra-articulares

Boa qualidade óssea

Lesões operadas com > 14 dias do trauma inicial

Tempo entre trauma e cirurgia de 14 dias

Cirurgia prévia para mesma fratura

Sinais de osteopenia ou osteoporose

Pacientes com idade > 60 anos

Lesões concomitantes em membro superior ipsilateral

Fraturas expostas

Lesões neurovasculares associadas

A análise estatística foi realizada utilizando o software PASW Statistics for Windows, Versão 17 (SPSS Inc. Chicago, IL, EUA), sendo realizado o teste de Friedman com correção de Bonferroni para comparações múltiplas. Para confirmar o achado dos valores, foi realizado o teste de análise de variância (ANOVA, na sigla em inglês) de medidas repetidas com teste post-hoc de Bonferroni

Técnica cirúrgica

Todos os pacientes apresentavam fraturas extra-articulares do rádio distal ([Figura 1]) e foram submetidos ao procedimento no centro cirúrgico. O processo anestésico foi realizado com sedação e bloqueio periférico. Após adequada antissepsia, os campos estéreis foram posicionados e um garrote pneumático foi acionado na raiz do membro operado. Após redução incruenta da fratura e alinhamento aceitável atingido através de controle radioscópico, foi realizada incisão única de 1 a 2 cm na porção distal do processo estilóide radial ([Figura 2]), entre o primeiro e segundo compartimentos extensores. A dissecção dos tecidos foi realizada até a visualização óssea do ponto de inserção do parafuso. A perfuração da cortical radial foi realizada com broca 3.5 mm e da cortical ulnar com broca 2.5 mm, utilizando protetor de partes moles e cuidados para não ocorrer lesões das estruturas neurovasculares desta topografia. O trajeto da broca foi confirmado através de fluoroscopia.

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Fig. 1 Radiografias em anteroposterior (AP) e perfil (P) de uma fratura extra-articular da extremidade distal do rádio.
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Fig. 2 Incisão para abordagem percutânea da fratura.

Após a medição e o preparo adequados, foi inserido um parafuso maciço de 3.5 mm até a cortical medial do rádio. O posicionamento do parafuso e a estabilidade da fratura foram checados com fluoroscopia ([Figura 3]). Foi realizado fechamento por planos e curativo estéril. Os pacientes foram mantidos com tala antebraquiopalmar por 14 dias.

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Fig. 3 Controle fluoroscópico da redução e alinhamento da fratura após a fixação com parafuso maciço.

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Seguimento e pós-operatório

Após 14 dias de imobilização, os pontos da ferida operatória foram retirados e os pacientes foram liberados para iniciar fisioterapia motora para ganho de amplitude de movimento, analgesia e controle do edema local. O controle radiográfico foi realizado nos retornos ambulatoriais ([Figura 4]).

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Fig. 4 Radiografias em anteroposterior (AP) e perfil (P) de controle ambulatorial pós-operatório de uma fratura com evidência de consolidação tratada com a técnica apresentada.

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Resultados

Os dados demográficos do estudo estão na [Tabela 2]. O grupo de estudo inicial incluiu 16 pacientes, (81,25% mulheres), com média de idade 46,5 anos (25–60 anos). O tempo de espera entre a data do trauma até a cirurgia foi de 8,8 dias (4–14 dias). O principal mecanismo de trauma foi queda da própria altura (75% casos; n = 13), seguido de trauma de alturas maiores ou iguais a 1 metro (n = 2) e em vigência de atividade esportiva (n = 1).

Tabela 2

Amostra (n)

16 pacientes

Idade

46,5 anos (25–60)

Gênero

Feminino n = 13 // Masculino n = 3

Tempo até o procedimento (dias)

8,8 (4–14 dias)

Mecanismo do Trauma

Queda da própria altura (n = 13), queda de altura maior ou igual a 1 metro (n = 2), atividade esportiva (n = 1)

Os parâmetros radiográficos e análises do tilt Volar estão presentes na [Tabela 3]. O tilt Volar médio pré-procedimento foi de - 7,41° (−23,48°–5,29°, desvio padrão (DP) ± 6,59°). O valor médio imediatamente após a redução e fixação da fratura foi de 5,93° (DP ± 6,23°, p <0,001). Ao final de 6 meses, o valor final médio reduziu para 5,68°, porém esta redução não obteve valores significativamente estatísticos (p = 0,095).

Tabela 3

Tilt volar Pré-operatório

Tilt Volar Pós- operatório Imediato

valor-p

Média

−7,41 (−23,48–5,29)

5,94 (−11,46–12,00)

< 0,001

Desvio Padrão

±6,59

±6,24

Tilt volar Pré

Tilt Volar 6 meses

p

Média

−7,41 (−23,48–5,29)

5,68 (−11,40–12,00)

< 0,001

Desvio Padrão

±6,59

±6,27

Tilt volar Pós – Imediato

Tilt Volar 6 meses

p

Média

5,94 (−11,46–12,00)

5,68 (−11,40–12,00)

0,095

Desvio Padrão

±6,24

±6,27

Os parâmetros radiográficos e análises da altura radial estão presentes na [Tabela 4]. A média da altura radial pré-operatória foi de 4,13 mm (−7,8°–9,5°, DP ± 5,06°). O valor médio da altura radial no pós-operatório imediato foi 10,04 mm, com aumento estatisticamente significativo (p = 0,002). Ao final de 6 meses, o valor médio reduziu para 9,55 mm, com redução também estatisticamente significativa entre os 2 períodos (p = 0,012)

Tabela 4

Altura Radial Pré

Altura Radial Pós - Imediato

p

Média

4,13 (−7,8–9,5)

10,04 (+ 6,6–11,30)

0,002

Desvio Padrão

±5,06

±1,26

Altura Radial Pré

Altura Radial 6 meses

p

Média

4,13 (−7,8–9,5)

9,55 ( +5,70–11,00)

0,007

Desvio Padrão

±5,06

±1,51

Altura Radial Pós - Imediato

Altura Radial 6 meses

p

Média

10,04 (+ 6,6–11,30)

9,55 ( +5,70–11,00)

0,012

Desvio Padrão

±1,26

±1,51

Em 3 meses de pós-operatório, obtivemos consolidação de 100% das fraturas ([Figuras 5], [6] e [7]), e todos os pacientes apresentavam amplitude de movimento satisfatória ([Figura 8]). Um paciente operado com esta técnica permaneceu com dor crônica no pós-operatório, muito provavelmente causada pela pseudoartrose do processo estilóide da ulna. Não apresentamos quadros infecciosos e nenhum paciente precisou ser reoperado.

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Fig. 5 Sequência de radiografias pré- e pós-operatórias de fraturas tratadas com a técnica apresentada.
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Fig. 6 Sequência de radiografias pré- e pós-operatórias de fraturas tratadas com a técnica apresentada.
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Fig. 7 Sequência de radiografias pré- e pós-operatórias de fraturas tratadas com a técnica apresentada.
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Fig. 8 Amplitude de movimento seis meses após a cirurgia.

Ao final de 6 meses, obtivemos parâmetros radiográficos próximos dos valores anatômicos. Um paciente apresentou resultado radiográfico insatisfatório, com tilt volar de - 11,4°. Creditamos este resultado à falha técnica durante a redução da fratura deste paciente.


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Discussão

O interesse pela osteossíntese minimamente invasiva tem crescido em todo o mundo.[16] O desenvolvimento dos dispositivos de imagem e de fixação possibilitaram aos cirurgiões ortopédicos tratarem diferentes tipos de fraturas com menores dissecção e agressão cirúrgica. Pacientes submetidos a cirurgias minimamente invasivas tendem a apresentar menores incisões, mínima perda de sangue, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades diárias.[17]

Apesar de historicamente a fixação percutânea com fios de Kirschner ter sido amplamente utilizada para tratamento de fraturas extra-articulares do rádio distal, a tendência da utilização das placas de bloqueio volar é cada vez maior. A falta de estabilidade da fixação com os fios, somada às chances de consolidação viciosa e infecção do trajeto dos pinos são algumas das principais razões que estão levando esta técnica a perder popularidade.

Um estudo realizado por Gereli et al.[15] comparou os resultados entre a fixação percutânea com dois parafusos canulados e a fixação com placa de bloqueio volar. Em relação ao tempo cirúrgico, o grupo com parafusos canulados teve duração média de procedimento de 53 minutos (40–80 minutos) comparados com 77,7 minutos no grupo da fixação com placa de bloqueio volar (60–90 minutos), com p = 0.001. Em relação à amplitude de movimento, no acompanhamento de 2 meses, os pacientes do grupo da fixação percutânea apresentaram maiores amplitudes de movimento na pronação (66° versus 58°, p = 0.005) e na supinação (59° x 51°, p = 0.025), porém, ao final do estudo, ambos os grupos apresentavam amplitudes de movimento iguais. O estudo ainda sugeriu que não há diferença significativa entre os grupos no que tange o retorno precoce às atividades diárias.

Uma recente metanálise[17] comparando tratamento com redução aberta e fixação interna (RAFI) versus fixação externa mostrou resultados significativamente superiores no questionário Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand (DASH, na sigla em inglês) em favor do grupo RAFI utilizando placas de bloqueio volar. O questionário avalia a capacidade do paciente de executar suas atividades diárias utilizando o membro superior e configura um importante método validado para avaliação funcional pós-operatória. Além disso, o estudo ainda conclui que o grupo RAFI possui melhor restauração do tilt volar e melhor supinação do antebraço, porém força de preensão menor quando comparado com a fixação externa.

Jupiter et al.[19] e Zhang et al.[20] discutem que a mobilidade precoce que a placa de bloqueio volar permite seria um dos principais fatores para uma melhora clínica significativa. Contudo, Handoll et al.,[21] em revisão sistemática pelo banco de dados Cochrane, concluiu que a evidência dos estudos randomizados em reabilitação de fraturas do rádio distal em adultos é insuficiente para estabelecer a efetividade entre o tempo de imobilização e as diferentes intervenções no pós-operatório. Handoll et al.[21] sugerem, ainda, que os grandes centros devem identificar questões prioritárias na reabilitação dos pacientes para melhorar a qualidade da evidência científica produzida.

Stinton et al.[22] realizaram uma metanálise longitudinal de última geração para avaliar a recuperação durante os 2 primeiros anos pós-operatórios após uma fratura de rádio distal tratada com placa de bloqueio volar. Os autores concluíram que a melhora clínica significativa pode ser atingida em até 12 meses, atingindo após esse período um "platô estável" e níveis de normalidade prévia após a cirurgia.

Revisando estudos na literatura nacional, Pardini Júnior et al.[23] avaliaram os resultados radiográficos de 34 pacientes submetidos ao tratamento percutâneo das fraturas da extremidade distal do rádio com fios de Kirschner. Apesar de terem apresentado resultados com piora média do tilt volar da fratura (−2,03° no período pós-operatório imediato versus - 3,82° ao final do estudo), não foi encontrada significância estatística (p = 0,511).

Piva Neto et al.[24] também analisaram radiograficamente os resultados do tratamento percutâneo ao final de 6 semanas. Este estudo não comparou os parâmetros radiográficos do pós-operatório imediato com os parâmetros ao final do período avaliado, fato que impede de avaliar uma possível perda de redução da fratura ao longo do processo de consolidação.

Comparando o presente estudo com os trabalhos nacionais citados anteriormente, obtivemos resultados superiores em relação à restauração do tilt volar médio (5,68° em comparação a - 3,82° e 3,3°) e resultados similares na restauração da altura radial comparado ao estudo de Piva Neto et al.[24] (9,55 mm em comparação a 9,47 mm). Além disso, a técnica utilizada apresentou um menor número de complicações e nenhum paciente apresentou quadro infeccioso.

A técnica apresentada no presente artigo pode ser utilizada como uma opção de baixo custo para o tratamento das fraturas extra-articulares do rádio distal. Países com menor poder aquisitivo precisam ter alternativas para contornar a baixa disponibilidade de placas de bloqueio volar.

A fixação percutânea das fraturas com um parafuso maciço de 3.5mm permitiu uma fixação estável das fraturas e início precoce de fisioterapia motora, mantendo os parâmetros radiográficos similares aos valores anatômicos ao final do período de 6 meses. Além disso, a mínima incisão realizada para a osteossíntese e a mínima dissecção de partes moles também proporcionaram dor mínima no pós-operatório imediato. Não apresentamos casos de infecção durante todo seguimento.

O presente estudo possui algumas limitações. O tipo específico de fratura incluído no trabalho, o tipo de fixação utilizado e os diversos critérios de inclusão e exclusão restringem significativamente o número da amostra e o poder do estudo. Além disso, consideramos elevado o tempo médio entre a data inicial do trauma até o procedimento cirúrgico (média de 8,8 dias). Por se tratar de um estudo realizado no sistema público de saúde, muitas vezes a burocracia e a hierarquização do sistema podem levar a um maior tempo de espera, fator que pode estar relacionado diretamente a resultados inferiores. Outra limitação foi a impossibilidade de padronizar os protocolos de fisioterapia motora no pós-operatório.


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Conclusão

A fixação percutânea com parafuso cortical de 3.5mm é uma opção útil e de baixo custo para o tratamento das fraturas extra-articulares da extremidade distal do rádio. A técnica mostrou-se bastante efetiva, com manutenção aceitável dos parâmetros radiográficos, permitindo mobilização precoce do punho e um baixo índice de complicações.


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Conflito de Interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

* Trabalho desenvolvido no Serviço de Ortopedia e Traumatologia, Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil.



Endereço para correspondência

Leonardo Dalla Giacomassa Rocha Thomaz, MD
Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre
Av. Independência, 75, Independência, Porto Alegre, RS, 90035-072
Brasil   

Publication History

Received: 30 July 2019

Accepted: 12 November 2019

Publication Date:
22 April 2020 (online)

© 2020. The Author(s). This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution-NonDerivative-NonCommercial-License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit. Contents may not be used for commercial purposes, or adapted, remixed, transformed or built upon. (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Published by Thieme Revinter Publicações Ltda
Rio de Janeiro, Brazil


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Fig. 1 Radiografias em anteroposterior (AP) e perfil (P) de uma fratura extra-articular da extremidade distal do rádio.
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Fig. 2 Incisão para abordagem percutânea da fratura.
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Fig. 3 Controle fluoroscópico da redução e alinhamento da fratura após a fixação com parafuso maciço.
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Fig. 4 Radiografias em anteroposterior (AP) e perfil (P) de controle ambulatorial pós-operatório de uma fratura com evidência de consolidação tratada com a técnica apresentada.
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Fig. 1 Anteroposterior (AP) and lateral (L) radiographs from an extra-articular fracture of the distal radius.
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Fig. 2 Incision for percutaneous approach to the fracture.
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Fig. 3 Fluoroscopic control of fracture reduction and alignment after solid screw fixation.
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Fig. 4 Anteroposterior (AP) and lateral (L) radiographs for postoperative outpatient control of an apparently consolidated fracture treated according to the presented technique.
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Fig. 5 Sequência de radiografias pré- e pós-operatórias de fraturas tratadas com a técnica apresentada.
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Fig. 6 Sequência de radiografias pré- e pós-operatórias de fraturas tratadas com a técnica apresentada.
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Fig. 7 Sequência de radiografias pré- e pós-operatórias de fraturas tratadas com a técnica apresentada.
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Fig. 8 Amplitude de movimento seis meses após a cirurgia.
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Fig. 5 Pre- and postoperative radiographs of fractures treated according to the presented technique.
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Fig. 6 Pre- and postoperative radiographs of fractures treated according to the presented technique.
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Fig. 7 Pre- and postoperative radiographs of fractures treated according to the presented technique.
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Fig. 8 Range of motion six months after surgery.