CC BY-NC-ND 4.0 · Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia: Brazilian Neurosurgery 2018; 37(S 01): S1-S332
DOI: 10.1055/s-0038-1673224
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Thieme Revinter Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Hidrocefalia obstrutiva secundária a dilatação de espaços de virchow-robin: relato de caso

Thomas Dominik de Souza dos Reis
1   Universidade Federal do Ceará
,
Mateus Aragao Esmeraldo
1   Universidade Federal do Ceará
,
Manuel Fortes Monteiro
1   Universidade Federal do Ceará
,
Francisco Marcos de Sousa Silvino
1   Universidade Federal do Ceará
,
Cláudio Henrique de Souza Moreira
1   Universidade Federal do Ceará
,
Gerardo Cristino Filho
1   Universidade Federal do Ceará
,
Keven Ferreira da Ponte
1   Universidade Federal do Ceará
› Author Affiliations
Further Information

Publication History

Publication Date:
06 September 2018 (online)

 
 

    Relato do Caso: Paciente de 53 anos, masculino, hipertenso e diabético, atendido com relato de cefaleia crônica, evoluindo duas semanas antes com aumento da frequência das dores e vômitos. Relatava ainda amnésia retrógrada, sem incontinência ou distúrbio da marcha. Ao exame, apresentava nível de consciência e mini-exame do estado mental normal, sem edema de papila e nem déficit neurológico focal. A ressonância magnética (RM) encefálica com espectroscopia evidenciou hidrocefalia obstrutiva, com compressão do aqueduto cerebral por múltiplas dilatações císticas, localizadas em região do mesencéfalo e ponte, compatíveis com dilatação dos espaços de Virchow-Robin (EVR). O paciente foi operado com colocação de derivação ventricular interna para átrio. Evoluiu sem intercorrências no pós-operatório, com regressão da cefaleia. Os exames de controle mostraram resolução da hidrocefalia e persistência das dilatações no tronco encefálico.

    Discussão: Os EVR são vias de drenagem linfática do cérebro que aparecem em todas as faixas etárias e tendem a aumentar com o avançar da idade. Quando dilatados ocorrem ao longo das artérias lenticuloestriadas que entram nos gânglios basais (tipo I), no trajeto das perfurantes das artérias medulares (tipo II) e também podem localizar-se no mesencéfalo (tipo III). Na RM são arredondados com uma margem bem definida, ocorrendo ao longo do trajeto das artérias penetrantes, além de serem isointensos em relação ao LCR. Se aumentados, podem ter um efeito de massa focal associado, representando uma apresentação rara desta condição. No caso apresentado, as imagens de RM, colocaram como principal diagnóstico a dilatação dos EVR. As imagens mostram um efeito compressivo dos EVR sobre o aqueduto, levando a dilatação apenas dos ventrículos laterais e terceiro ventrículo. A apresentação clínica pode ser explicada por aumento da pressão intracraniana. Mas sem evidência de envolvimento das demais estruturas mesencefálicas.

    Conclusão: Lesões císticas agrupadas, bem definidas, com intensidade de sinal do LCR na RM, sem realce ao gadolínio, têm como diagnóstico diferencial os EVR aumentados. A maioria dos pacientes não necessita de tratamento cirúrgico. Todavia, casos raros com efeito de massa significativo e/ou hidrocefalia podem necessitar de descompressão cirúrgica ou desvio da drenagem liquórica, como a cistocisternostomia, a ventriculocistostomia e derivação ventricular interna.


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