CC BY-NC-ND 4.0 · International Journal of Nutrology 2018; 11(02): 061-065
DOI: 10.1055/s-0038-1669407
Original Article | Artigo Original
Thieme Revinter Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Distorção da autopercepção de imagem corporal em adolescentes

Body Image Self-perception Distortion in Teenagers
Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida
1   Departamento de Medicina, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, Brasil
,
Rafael Cappello Garzella
2   Pediatria (Preceptor), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
,
Camila da Costa Natera
3   Hospital Sírio Libanês (Residente), São Paulo, SP, Brasil
,
Ane Cristina Fayão Almeida
4   Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
,
Ivan Savioli Ferraz
4   Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
,
Luiz Antônio Del Ciampo
4   Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
› Author Affiliations
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Address for correspondence

Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida, MD, MSc, PhD
Departamento de Medicina, Universidade Federal de São Carlos
Rua São José, 2591, Ribeirão Preto, SP 14025-180
Brazil   

Publication History

11 June 2018

21 June 2018

Publication Date:
04 September 2018 (online)

 

Resumo

Introdução Na adolescência, período de aceleração do crescimento e de mudanças corporais, podem ocorrer comportamentos de contestação que tornam o indivíduo vulnerável a preocupações ligadas ao corpo e à aparência.

Objetivo Verificar a presença de distorção da autopercepção da imagem corporal em adolescentes da cidade de Ribeirão Preto, SP.

Métodos Estudo transversal, observacional e analítico. Foram avaliados 343 adolescentes entre 12 e 19 anos pertencentes ao Programa de Informação Profissional (PIP) da Universidade de Ribeirão Preto, SP. Os adolescentes responderam como se consideravam em relação ao seu peso corporal. Foram realizadas medidas antropométricas dos participantes (peso, estatura e índice de massa corporal [IMC]). A presença de distorção da imagem corporal foi avaliada por meio da discrepância entre o IMC diagnosticado pelo profissional e o IMC percebido pelo adolescente.

Resultados Houve prevalência de 41,7% de adolescentes com distorção da imagem corporal, seja por superestimação ou subestimação do tamanho do corpo. Adolescentes do sexo feminino tiveram maiores distorções da percepção da autoimagem. A superestimação da imagem corporal foi maior em adolescentes eutróficos, enquanto a subestimação foi maior em adolescentes obesos e com sobrepeso.

Conclusão Os resultados indicam a necessidade de implantação de políticas públicas e de projetos dentro do âmbito escolar para a prevenção de distúrbios de imagem corporal e de transtornos alimentares, inclusive nos adolescentes eutróficos.


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Abstract

Introduction During adolescence, a period of acceleration of growth and body changes, there may be contending behaviors that make the individual vulnerable to concerns about his or her body and appearance.

Objective To verify the presence of body image self-perception distortion in adolescents of the city of Ribeirão Preto, SP.

Methods The present work is a cross-sectional, observational and analytical study. A total of 343 adolescents aged between 12 and 19 years old and belonging to the Professional Information Program (PIP, in the Portuguese acronym) of the University of Ribeirão Preto, state of São Paulo, Brazil, were evaluated. The adolescents responded how they considered themselves in relation to their body weight. Anthropometric measurements of the participants (weight, height, and body mass index [BMI]) were performed. The presence of body image distortion was assessed through the discrepancy between the BMI diagnosed by the professional and the BMI perceived by the adolescent.

Results There was a prevalence of 41.7% of adolescents with body image distortion, either due to overestimation or underestimation of the body size. Female adolescents had greater distortions in the perception of self-image. The overestimation of body image was higher in eutrophic adolescents, while the underestimation was greater in obese and overweight adolescents.

Conclusion The results indicate the need to implement public policies and projects within the school context for the prevention of body image and eating disorders, including in eutrophic adolescents.


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Introdução

A imagem corporal é definida como uma imagem do corpo formada na mente do indivíduo, ou seja, o modo como o indivíduo percebe seu corpo, sendo esta construída desde a infância até a puberdade.[1] [2] [3] A autopercepção do peso é um aspecto importante da imagem corporal, pois reflete insatisfações e preocupações quanto ao tamanho e forma corporais.[2] Na adolescência, por ser um período de aceleração do crescimento e, portanto, de mudanças corporais, podem ocorrer comportamentos de contestação que tornam o indivíduo vulnerável a preocupações ligadas ao corpo e à aparência.[4]

Ursoniu et al[5] verificaram que adolescentes com autopercepção de sobrepeso foram mais propensos a se exercitar, a ter menor ingestão calórica e, ainda, a utilizar comportamentos compensatórios como vômitos ou uso abusivo de laxativos.

Kimber et al[6] observaram que adolescentes eutróficos que se consideraram desnutridos ou com excesso de peso experimentam maiores sintomas de depressão.

Entende-se como distorção da imagem corporal a discrepância entre o índice de massa corporal (IMC) percebido e o real.[7] A distorção de imagem pode levar adolescentes a adotarem hábitos de controle de peso não saudáveis, com consequente ingestão inadequada de energia e nutrientes, além de distúrbios psíquicos como transtornos de ansiedade e de humor.[8] [9] Um estudo epidemiológico recente verificou que de 17 a 43% dos adolescentes com IMC normal, principalmente do sexo feminino, apresentam distorção da imagem corporal.[6]

São poucos os estudos que avaliam a autopercepção corporal e fatores associados a ela, e a maioria aborda a distorção e a insatisfação com a imagem corporal especialmente em portadores de transtornos alimentares (TAs) específicos (bulimia, anorexia nervosa, obesidade mórbida).[10] Porém, é sabido que a superestimação e a subestimação da imagem corporal não constituem uma característica exclusiva de adolescentes com TAs.[11] [12] [13]

Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo verificar a presença de distorção da autopercepção da imagem corporal em adolescentes da cidade de Ribeirão Preto, SP.


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Metodologia

O presente trabalho é um estudo transversal, observacional e analítico, realizado na cidade de Ribeirão Preto, SP. Foram convidados a participar do estudo 442 adolescentes entre 12 e 19 anos pertencentes ao Programa de Informação Profissional (PIP) da Universidade de Ribeirão Preto, o qual se destina a apresentar a universidade e suas atividades acadêmicas à comunidade em geral, no ano de 2015. Destes, 343 aceitaram participar da pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, no caso de maiores de 18 anos, ou seus responsáveis o fizeram, no caso de menores de idade.

No momento da entrada no estudo, os adolescentes respondiam à seguinte pergunta: “Você se considera: muito magro (MM), magro (M), normal (N), sobrepeso (S) ou obeso (O)?” Imediatamente após responderem a esta pergunta, os adolescentes tiveram as suas medidas antropométricas (peso e estatura) obtidas. O peso foi aferido por meio de uma balança portátil, eletrônica e digital, da marca Tanita (Tanita Corporation, Tóquio, Japão), com capacidade de 150 kg e divisões de 100 g, estando o adolescente com roupas leves, sem calçados, em pé e com membros superiores estendidos ao lado do corpo. A altura foi aferida em um estadiômetro vertical graduado em centímetros e milímetros, com escala de precisão de 0,1 cm. Os adolescentes foram posicionados sem calçados, com os calcanhares unidos, em posição ereta, olhando para a frente. A leitura foi feita no centímetro mais próximo, quando a haste horizontal da barra vertical da escala de estatura encostava-se à cabeça do adolescente.

A classificação antropométrica foi realizada de acordo com as curvas de crescimento recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS),[14] sendo utilizado o índice de massa corporal por idade (IMC/I). O software WHO Anthro Plus (Organização Mundial de Saúde, Genebra, Suíça)[15] foi utilizado para auxiliar na identificação dos escores z dos adolescentes. A classificação do estado nutricional dos adolescentes obedeceu aos seguintes pontos de corte: eutrófico (escore z entre - 2 e + 1); desnutrido (escore z < - 2); sobrepeso (escore z entre + 1 e + 2); obesidade (escore z > + 2).[16]

A presença de distorção da imagem corporal foi avaliada por meio da discrepância entre o IMC diagnosticado pelo profissional e o IMC percebido pelo adolescente.

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Ribeirão Preto.

As variáveis categóricas (idade, sexo, estado nutricional) foram descritas por meio de distribuição de frequência para variáveis categóricas. Idade, sexo e estado nutricional foram expressos em médias e desvio-padrão. Para correlacionar estado nutricional e autopercepção corporal, foi utilizada a correlação de Spearman.

Para avaliar a concordância entre o estado nutricional percebido pelo adolescente e o estado nutricional diagnosticado, foi realizado o teste Kappa. O nível de significância utilizado foi de 5%. Para as análises estatísticas, utilizou-se o software SPSS versão 16.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, EUA).


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Resultados

A idade média dos adolescentes foi de 17,02 ± 1,00 anos, e a média de IMC foi de 21,69 ± 3,23.

A [Tabela 1] mostra as características clínicas dos adolescentes avaliados no estudo.

Tabela 1

Características clínicas dos adolescentes (n = 343) do Programa de Informação Profissional da Universidade de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto, SP), 2015

Variáveis

n (%)

Sexo masculino

84 (24,5)

Sexo feminino

259 (75,5)

Diagnóstico nutricional

Desnutrição

4 (1,2)

Eutrofia

276 (80,5)

Sobrepeso

52 (15,2)

Obesidade

11 (3,2)

Dos 276 adolescentes eutróficos, 81% eram do sexo feminino e 79% eram do sexo masculino.

Em resposta à pergunta sobre a autopercepção de seu estado nutricional, verificou-se que 55,1% (189/343) consideravam-se eutróficos, independente de seu estado nutricional, sendo 25,4% (48/189) do sexo masculino e 74,6% (141/189) do sexo feminino.

Observou-se uma correlação positiva entre excesso de peso (sobrepeso e obesidade) e autopercepção corporal (r = 0,34; p = < 0,01). Também foi encontrada uma correlação positiva entre eutrofia e autopercepção corporal (r = 0,45; p < 0,01).

Observou-se que dos 276 adolescentes eutróficos, 15,6% (43/276) consideravam-se com sobrepeso. Entre os adolescentes eutróficos que se consideravam portadores de sobrepeso, 90,7% (39/43) eram do sexo feminino e 9,3% (4/43) do sexo masculino. Dos 52 adolescentes classificados com sobrepeso, 5,7% (3/52) consideravam-se portadores de obesidade, sendo todos os indivíduos do sexo feminino. Dos quatro desnutridos, apenas 1 (25%) se considerava eutrófico ([Tabela 2]).

Tabela 2

Relação entre estado nutricional percebido e diagnosticado em adolescentes do Programa de Informação Profissional da Universidade de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto, SP), 2015

Estado nutricional percebido

Estado nutricional diagnosticado

Muito magro

Magro

Normal

Sobrepeso

Obeso

Total

Desnutrido

0

3

1

0

0

4

Eutrófico

8

57

167

43

1

276

Sobrepeso

0

0

21

28

3

52

Obeso

0

0

0

9

2

11

Total

8

60

189

80

6

343

Entre os 276 adolescentes eutróficos, nenhum se considerava desnutrido. Dos 52 adolescentes com sobrepeso, 40,4% (21/52) consideravam-se eutróficos. Entre os indivíduos com sobrepeso que se consideravam eutróficos, 61,9% (13/21) pertenciam ao sexo feminino e 38,1% (8/21) ao sexo masculino. Ainda, dos 11 adolescentes classificados como obesos, 81,8% (9/11) consideravam-se portadores de sobrepeso, sendo todos eles do sexo feminino ([Tabela 2]).

Ao todo, houve prevalência de 41,7% (143/343) de adolescentes com distorção da imagem corporal, seja por superestimação ou subestimação do tamanho corporal.

Na análise de concordância, o valor do teste Kappa foi de 0,03 (p < 0,01), o que prediz baixa concordância entre os dados. Os dados estão demonstrados na [Tabela 2].

A [Tabela 3] ilustra a autopercepção corporal adequada segundo o sexo dos adolescentes.

Tabela 3

Autopercepção corporal adequada segundo o sexo dos adolescentes do Programa de Informação Profissional da Universidade de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto, SP), 2015

Autopercepção corporal adequada

Estado nutricional diagnosticado

Magro

Total de adolescentes desnutridos: 4

Sexo

n (%)

Masculino

0 (0)

Feminino

3 (75%)

Normal

Total de adolescentes eutróficos: 276

Masculino

39 (23,3)

Feminino

128 (76,7)

Sobrepeso

Total de adolescentes com sobrepeso: 52

Masculino

5 (17,8)

Feminino

23 (82,1)

Obesidade

Total de adolescentes com obesidade: 11

Masculino

0 (0)

Feminino

2 (100)


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Discussão

Os dados mostram prevalência de 41,7% de adolescentes com distorção da imagem corporal, seja por superestimação ou subestimação do tamanho corporal. No estudo de Glaner et al,[17] realizado com 637 adolescentes, foi observado que 60% estavam insatisfeitos com a imagem corporal. Os autores argumentam que os avanços tecnológicos e os meios de comunicação influenciam diretamente nos padrões de beleza, levando a comportamentos inadequados de atividade física e TAs.

Adolescentes do sexo feminino tiveram maiores distorções da percepção da autoimagem, pois é sabido que indivíduos do sexo feminino sofrem maiores pressões sociais para a conquista de um “corpo perfeito”[18]. E, quanto mais o corpo real se distancia do corpo perfeito, maior será a probabilidade de conflito e de baixa autoestima, o que pode exacerbar a insatisfação com o próprio corpo e ocasionar possíveis TAs.[19] [20] Cheung-Lucchese et al[21] comentaram que mulheres se preocupam com o que os outros irão pensar ao olhar para elas e, portanto, buscam se adequar aos modelos mais aceitos socialmente.

Adolescentes do sexo masculino também apresentaram distorções de autoimagem, porém em menor proporção. Além disso, como foi observado, a maioria dos mesmos subestimava seu estado nutricional. Meninos também podem apresentar obsessão pelo corpo perfeito, o que atualmente se enquadra em quadros de vigorexia nervosa, transtorno no qual o adolescente realiza práticas esportivas de forma intensa e contínua para ganhar massa muscular e definição corporal sem se importar com eventuais consequências prejudiciais à saúde. Os vigoréxicos se consideram “fracos,” “raquíticos,” “frangos” ou “mirrados,” recorrendo cada vez mais a anabolizantes e a exercícios intensos na tentativa de alcançar a silhueta “ideal”[22].

No presente estudo, mais de 80% dos adolescentes eram eutróficos. Segundo Braga et al,[23] a alta prevalência de adolescentes com IMC ideal pode ser explicada pelo fato do indivíduo buscar a imagem corporal idealizada pela mídia, a qual consiste em um padrão estético de magreza.

Singh et al[24] verificaram que adolescentes que estavam com sobrepeso tiveram quatro vezes mais chance de se considerarem obesos (odds ratio [OR] = 4,65; intervalo de confiança [IC] 95%; 2,13–10,12). Também foi observado que 33% dos adolescentes com IMC normal estavam insatisfeitos com a imagem corporal, o que se assemelha ao resultado encontrado no presente trabalho, visto que 39,5% dos adolescentes eutróficos apresentaram distorção da imagem corporal.

Em um estudo recente,[25] foi demonstrado que o excesso de peso de adultos jovens apresentou associação positiva significativa com a autopercepção de excesso ponderal, ou seja, a autopercepção do excesso ponderal sofre distorções em relação ao diagnóstico nutricional real. Este fato também foi demonstrado no presente estudo.

Como foi observado, a superestimação da imagem corporal foi maior em adolescentes eutróficos, enquanto que a subestimação da imagem corporal foi maior em adolescentes obesos e com sobrepeso.

Resultados distintos têm sido relatados em diversos estudos que mostraram maior subestimação do peso em adolescentes do sexo masculino, enquanto adolescentes do sexo feminino tendem a superestimar o tamanho corporal.[2] [3] [5] [11] [26] Por outro lado, como no presente estudo, alguns autores observaram que a autopercepção corporal foi mais comprometida em adolescentes do sexo feminino, mesmo sendo o grupo com maior prevalência de eutrofia.[2] [4]

Além disso, a insatisfação com a imagem corporal esteve associada a um maior risco de baixo peso. No presente estudo, não foi possível realizar esta análise, diante do número pequeno de desnutridos, visto que dos quatro desnutridos, apenas um se considerava eutrófico.

O presente trabalho apresenta algumas limitações. A não utilização de uma escala de silhuetas padronizadas pode ter dificultado a precisão da distorção da imagem corporal. Finalmente, a população estudada foi obtida por uma amostra de conveniência e não pode ser considerada como representativa dos adolescentes de Ribeirão Preto.

A superestimação da imagem corporal em adolescentes eutróficos, observada no presente estudo, é um fato preocupante, pois pode indicar o início de possíveis transtornos psíquicos e alimentares. Por outro lado, a subestimação da mesma encontrada em adolescentes com sobrepeso e obesos pode interferir no reconhecimento dos malefícios do excesso de peso para a saúde.

Em conclusão, observou-se alta prevalência de distorção da imagem corporal nos adolescentes avaliados. Adolescentes eutróficos apresentaram maiores porcentagens de superestimação, e adolescentes obesos apresentaram maior prevalência de subestimação. Adolescentes do sexo feminino apresentaram maiores distorções de percepção da autoimagem. Os resultados indicam a necessidade de implantação de políticas públicas e de projetos dentro do âmbito escolar para combater o estereótipo de padrão de beleza e prevenir distúrbios de imagem corporal e TAs, inclusive nos adolescentes eutróficos.


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No conflict of interest has been declared by the author(s).


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Departamento de Medicina, Universidade Federal de São Carlos
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