CC BY-NC-ND 4.0 · Rev Bras Ortop (Sao Paulo) 2019; 54(06): 714-720
DOI: 10.1055/s-0039-1697970
Artigo Original
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Published by Thieme Revnter Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Encondromas da mão: Uma experiência de 20 anos[*]

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Claudio Sollaci
1  Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, Brasília, DF, Brasil
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1  Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, Brasília, DF, Brasil
2  Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil
› Author Affiliations
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Publication History

25 March 2018

02 July 2018

Publication Date:
09 October 2019 (online)

Resumo

Objetivo Os encondromas são os tumores mais comuns dos ossos da mão, com uma grande variedade de abordagens terapêuticas. O presente artigo apresenta as características dos tumores, métodos diagnósticos e tratamentos.

Métodos Discutimos a abordagem da nossa instituição, onde tratamos 48 pacientes com encondromas da mão, entre 1996 e 2016. Nossa técnica de tratamento, que permanece a mesma ao longo de duas décadas, compreende o uso de curetagem, esmeril de velocidade e enxerto ósseo autólogo (retirado com uma técnica minimamente invasiva, usando uma agulha de Craig).

Resultados A dor e as fraturas foram os sintomas mais comuns, levando os pacientes à consulta, nas frequências de 33,3% e 31,3%, respectivamente. Um total de 27,1% dos casos era assintomático, e suas lesões foram descobertas incidentalmente. A média de idade foi de 34,4 anos (desvio padrão [DP] = 12,9 anos). Os tumores foram mais frequentemente encontrados no lado ulnar da mão, no quinto raio (41,5%), e nos ossos proximais (nas falanges proximais [43,8%] e no metacarpo [33,3%]). O tamanho do tumor variou de 0,2 cm2 a 5,7 cm2, com média de 1,7 cm2 (DP = 1,0 cm2) e não foi associado à fratura (p = 0,291). A fratura também não foi associada a nenhum dos sintomas, e nem à idade dos pacientes (p = 0,964). Após o tratamento, a maioria dos pacientes alcançou amplitude completa de movimento (91,7%), com boa integração do enxerto ósseo. Três pacientes apresentaram déficit no arco de movimento (6,3%) e a incidência de complicações também foi de 6,3% (3 pacientes). No final, após as revisões cirúrgicas necessárias, esses três pacientes também recuperaram a função completa. Eles tiveram a integração total do enxerto ósseo, recuperaram toda a amplitude de movimento e retornaram ao trabalho. Não houve nenhum caso de recorrência do tumor durante o período de acompanhamento avaliado. Em nenhum dos casos ocorreram complicações no local doador.

Conclusão O nosso método de tratamento forneceu consistentemente bons resultados, com apenas algumas complicações menores. Nível terapêutico de evidência: IV.

* Estudo desenvolvido na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, Brasília, DF, Brasil.