CC BY-NC-ND 4.0 · Rev Bras Ortop (Sao Paulo) 2019; 54(03): 358-359
DOI: 10.1055/s-0039-1692434
Carta ao Editor | Letter to the Editor
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Published by Thieme Revnter Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Carta resposta referente ao artigo “Etnia Asiática: um fator de risco para a capsulite adesiva?”

Article in several languages: português | English
1  Grupo de Ombro e Cotovelo, Instituto de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clinicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
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Mauro Emilio Conforto Gracitelli
1  Grupo de Ombro e Cotovelo, Instituto de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clinicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
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Jorge Henrique Assunção
1  Grupo de Ombro e Cotovelo, Instituto de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clinicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
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Arnaldo Amado Ferreira Neto
1  Grupo de Ombro e Cotovelo, Instituto de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clinicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
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Further Information

Publication History

23 April 2019

07 May 2019

Publication Date:
27 June 2019 (online)

A capsulite adesiva acomete 13,5% dos pacientes que buscam atendimento de um ortopedista especialista em ombro, configurando o segundo diagnóstico mais frequente, após as afecções do manguito rotador.[1] Entretanto, sua causa ainda é desconhecida. Boa parte da pesquisa sobre o tema se refere à busca de fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A influência racial é pouco estudada como um fator envolvido no desenvolvimento da capsulite adesiva. Etnia branca[2] e nascimento nas ilhas britânicas[3] já foram descritos como fatores de risco, mas informações sobre as demais etnias são uma lacuna na literatura. E é essa lacuna que nosso estudo[4] visa ajudar a preencher.

Concordamos com algumas das críticas apresentadas. O estudo foi denominado como transversal para ressaltar que a avaliação dos pacientes ocorreu em tempo único, transversalmente, não sendo retrospectivo ou prospectivo. Entretanto, a terminologia mais adequada, e compatível com toda a análise estatística realizada, seria caso-controle. Avaliamos se a presença ou ausência de doença (capsulite adesiva) está ou não relacionada à exposição (ser ou não de etnia asiática), corrigindo a razão de chances para possíveis fatores confundidores por meio de uma regressão logística. Além disso, o intuito do estudo não foi avaliar a prevalência da doença, mas sim o risco em desenvolver a doença decorrente de uma exposição. Cabe ressaltar que a temporalidade de um fator de risco é motivo de discussão na escolha entre um desenho transversal (definindo a razão de prevalência) ou caso-controle (definindo a razão de chances). Devido ao fato do fator estudado (etnia) ser intrínseco à pessoa e presente desde o nascimento, consideramos ambos os desenhos possíveis.

Concordamos ainda que algumas formas de avaliação estatística podem superestimar diferenças entre os grupos. Entretanto, isso seria preocupante; principalmente se o risco obtido fosse marginal, e não robusto, como demonstram nossos dados. Uma análise utilizando razão de prevalência, ao invés de razão de chances, diminuiria o risco não corrigido de 4,2 para 3,6, valor este que ainda é superior ao reportado para hipotireoidismo,[5] hipertireoidismo,[6] nascimento nas ilhas britânicas, e em alguns estudos sobre diabetes.[3] [7] Por fim, ressaltamos que a metodologia empregada no nosso estudo (utilizando regressão logística e expondo a razão de chances) é semelhante à utilizada por Wang et al.[3] em artigo publicado no Journal of Shoulder and Elbow, revista mais prestigiada no campo da Cirurgia de Ombro e Cotovelo.

Diante do exposto, e apesar das limitações inerentes aos estudos observacionais, mantemos a convicção de que a etnia asiática deve passar a fazer parte dos fatores de risco a serem considerados diante de um paciente com dor e rigidez articular no ombro.