CC BY-NC-ND 4.0 · Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia: Brazilian Neurosurgery 2018; 37(S 01): S1-S332
DOI: 10.1055/s-0038-1672596
E-Poster – Spine
Thieme Revinter Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Diagnóstico e manejo terapêutico da síndrome de Bertolotti: relato de caso e revisão da literatura

Breno Nery
1  Hospital São Francisco
,
Bruno Camporeze
2  São Francisco University, Bragança Paulista
,
Eduardo Quaggio
1  Hospital São Francisco
,
Leandro César Tângari Pereira
1  Hospital São Francisco
,
Rodrigo Antônio Fernandes Costa
1  Hospital São Francisco
,
João Paulo Uvera Ferreira
1  Hospital São Francisco
,
Lucas Salviano de Abreu
3  Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Santos
,
Carolina Salviano de Abreu Nery
4  Diagnóstico por Imagem de Alta Performance de Ribeirão Preto
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Publication History

Publication Date:
06 September 2018 (online)

 

Introdução: A síndrome de Bertolotti (SB) é caracterizada pela presença de uma variação anatômica na quinta vértebra lombar (L5) com a presença de alargamento do processo transverso, associado ou não a fusão com o sacro ou a crista ilíaca, resultando em um quadro álgico crônico, persistente e clinicamente refratário de lombalgia.

Apresentação clínica: Paciente do sexo feminino, 26 anos, sem antecedentes pessoais relevantes, foi encaminhado para nosso serviço com quadro lombalgia associado a dor irradiada para a região do quadril esquerdo pontuando 8/10 na escala visual analógica de dor (EVA). Ao exame físico foi evidenciado aumento no tônus da musculatura paravertebral em região lombar, ausência de sinais flogísticos, presença de teste de Patrick-Fabere positivo à esquerda em quadril, lateral bending positivo, bem como manobras de Lasegue e Kerning negativas. Ao estudo por tomografia computadorizada, evidenciou-se a presença de processo transverso aumentado à esquerda de L5 associado à pseudoarticulação deste com a parte superior do sacro. Mediante os achados foi adotado o diagnóstico de síndrome dolorosa miofascial e SB associado à conduta de infiltração percutânea de facetas articulares há 3 meses com melhora da dor persistente pontuando 3/10 na EVA. Atualmente segue em tratamento com fisioterapia motora e acupuntura e se discute a correção cirúrgica em caso de refratariedade.

Discussão/Conclusão: A lombalgia constitui na atualidade a segunda maior causa de dor no mundo, sendo superado apenas pela cefaleia. A SB foi descrita pela primeira vez em 1917, tendo como incidência estimada afetar até 18,5% das lombalgias nos indivíduos menores de 30 anos de idade. Embora o diagnóstico radiológico seja patognomônico, a apresentação clínica desta síndrome é vasta, podendo cursar com sinais radiculares e limitação na movimentação, dificultando o diagnóstico precoce. O tratamento desta patologia ainda permanece incerto, há autores que realizam apenas múltiplos bloqueios químicos simpáticos percutâneos, àa medida que a conduta cirúrgica de ressecção desta anormalidade tende a ser descrita como tratamento definitivo. Logo, estudos prospectivos, randomizados e com casuísticas significativas são necessários para averiguar o controle adequado do quadro álgico perante as atuais modalidades terapêuticas disponíveis almejando a padronização do manejo e melhora da qualidade de vida destes pacientes.