CC BY-NC-ND 4.0 · Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia: Brazilian Neurosurgery 2020; 39(04): 249-255
DOI: 10.1055/s-0038-1657764
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The Impact of Inflation on the Medical and Hospital Money Transfers of the Neurosurgical Procedures of the Brazilian Unified Healthcare System from 2008 to 2017

O Impacto da inflação nos repasses médicos e hospitalares dos procedimentos neurocirúrgicos do Sistema Único de Saúde durante o período de 2008 a 2017
1   Hospital Vila da Serra, Belo Horizonte, Hospital Aroldo Tourinho, Montes Claros, MG, Brazil
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
3   Faculdades Integradas de Montes Claros (FIPMoc), Montes Claros, MG, Brazil
,
Graciella Lopes Araújo
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Letícia Pinheiro de Almeida
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Wanessa Santos Soares
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Daniel Santos Martins
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Guilherme Duraes Martins
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Isadora Fonseca de Vasconcelos
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Lara Cristina Lima Delgado
2   Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), Montes Claros, MG, Brazil
,
Henrique Nunes Pereira Oliva
3   Faculdades Integradas de Montes Claros (FIPMoc), Montes Claros, MG, Brazil
,
Aline Almeida de Magalhães
3   Faculdades Integradas de Montes Claros (FIPMoc), Montes Claros, MG, Brazil
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Abstract

Introduction There are more than 1,500 hospital procedures included in the Brazilian Unified Healthcare System's (SUS, in the Portuguese acronym) table, which is the reference for service payment provided by establishments serving the public health network, and they are stagnant. The underfinancing of procedures is so dramatic that in some cases the amounts paid by the SUS are even lower than the taxes generated by the costs of the same procedures in Brazilian private hospitals. This article aims to compare the evolution of the compensation of neurosurgical procedures by calculating the percentile of the lag in the values transferred to both neurosurgeons and hospitals, according to the SUS table, establishing the ideal and real values according to the current inflation, in a retrospective 9-year comparison.

Methodology This is an observational, comparative, retrospective study, based on the values of medical and hospital money transfers of 25 neurosurgical procedures in 2008, which were corrected according to the 2017 National Consumer Price Index (IPCA, in the Portuguese acronym).

Results Through this study, from 2008 to 2017, the transfers of medical fees regarding neurosurgical techniques are almost completely outdated. As examples, we can mention: the external/subgaleal ventricular shunt, with a deficit of 43.6%; the electrode implant for brain stimulation, with - 41.67%; and decompressive craniotomy, with - 32.21% in relation to the corrected value. Only 4 of the 25 neurosurgeries present a value above that predicted by the IPCA, one of them being cerebral aneurysm embolization larger than 1.5 cm with a narrow neck (+ 8.0%). Regarding the money transfers to hospitals, all procedures are 43.6% lower than expected, since there was no readjustment in the amounts paid to the institutions in the analyzed period. For example, in 2008, for the transposition of the cubital nerve, R$ 267.30 were transferred, and the same amount was maintained in 2017; and, for the surgical treatment of compressive syndrome in osteofibrous tunnel at carpal level (R$ 145.18), the amount also remained fixed throughout these 9 years.

Conclusion Because they did not follow the evolution of the economy, in 80% of the surgeries, the neurosurgeons did not have their economic demands met regarding the procedures performed through SUS. And the data became even more alarming when the money transfers to hospitals were evaluated, since there was no evolution in the money transfers for any of the neurosurgeries evaluated.

Resumo

Introdução Mais de 1.500 procedimentos hospitalares incluídos na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS)— considerada padrão de referência para pagamento dos serviços prestados por estabelecimentos que atendem à rede pública da saúde—estão estagnados. O subfinanciamento dos procedimentos é tão dramático que, em alguns casos, os valores pagos pelo SUS ficam abaixo até mesmo dos impostos gerados pelos custos dos mesmos procedimentos realizados nos hospitais particulares com fins lucrativos. Por meio deste artigo, objetiva-se, portanto, comparar a evolução da remuneração dos procedimentos neurocirúrgicos, calculando a porcentagem de defasagem dos valores repassados tanto aos neurocirurgiões quanto aos hospitais, segundo a tabela SUS, estabelecendo os valores ideais e reais de acordo com a inflação vigente, em um comparativo retrospectivo de 9 anos.

Metodologia Trata-se de um estudo do tipo observacional, comparativo-retrospectivo, baseado em valores do repasse médico e hospitalar de 25 procedimentos neurocirúrgicos em 2008, corrigidos conforme o valor do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2017.

Resultados Por meio deste estudo, percebeu-se que de 2008 até 2017, os repasses dos honorários médicos referentes às técnicas neurocirúrgicas encontravam-se, quase em sua totalidade, desatualizados. Como exemplo, podem ser citados: a derivação ventricular externa/subgaleal, com déficit de 43,6%; o implante de eletrodo para estimulação cerebral, com - 41,67%; e a craniotomia descompressiva, com - 32,21% em relação ao valor corrigido. Apenas 4 das 25 neurocirurgias encontravam-se com valor acima do previsto pelo IPCA, entre as quais encontrava-se a embolização de aneurisma cerebral maior do que 1,5 cm com colo estreito (+ 8,0%). No que tange ao repasse hospitalar, todos os procedimentos estavam 43,6% abaixo do esperado, uma vez que não houve reajuste dos valores pagos às instituições no período analisado. Repassava-se, em 2008, o valor de R$ 267,30 pelo procedimento de transposição do nervo cubital, por exemplo. A mesma quantia foi mantida em 2017. O mesmo ocorreu com o valor pago pelo tratamento cirúrgico da síndrome compressiva em túnel osteofibroso no nível do carpo (R$ 145,18), que também se manteve fixo ao longo desses 9 anos.

Conclusão Por não terem acompanhado a evolução da economia, em mais de 80% das cirurgias, os neurocirurgiões não tiveram suas demandas econômicas atendidas quanto aos procedimentos realizados pelo SUS. E os dados se tornam ainda mais alarmantes quando avaliado o repasse hospitalar, pois não houve evolução nos repasses para nenhuma das neurocirurgias avaliadas.



Publikationsverlauf

Eingereicht: 02. Februar 2017

Angenommen: 24. April 2017

Artikel online veröffentlicht:
01. Juni 2018

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