Resumo
Objetivo: A necessidade da utilização de testes confirmatórios para o diagnóstico de morte
encefálica vem sendo questionada nos últimos tempos. Acredita-se que o exame clínico
completo, realizado de acordo com o protocolo do Conselho Federal de Medicina, seja
suficiente para constatar a ausência irreversível de função no tronco encefálico.
Assim, este estudo teve como objetivo averiguar a real necessidade da utilização de
exames complementares no diagnóstico de morte encefálica. Método: Foi realizado estudo prospectivo analisando os prontuários de pacientes que receberam
diagnóstico de morte encefálica desde a abertura do protocolo até a realização dos
exames clínicos completos e exame complementar (Doppler transcraniano). Resultados: Não foi registrado nenhum caso de recuperação da função cortical e/ou do tronco cerebral
após o diagnóstico de morte encefálica utilizando os critérios clínicos. A dificuldade
para a realização do Doppler transcraniano e as falhas inerentes ao exame contribuíram
para tornar mais lento o diagnóstico. Conclusão: É possível diagnosticar morte encefálica apenas utilizando exame clínico completo,
sem a necessidade de exames complementares.
Abstract
Objective: The need to use confirmatory tests for brain death diagnosis has been questioned
lately. It is believed that a full clinical examination, performed according to the
protocol of brain death diagnosis of the Brazilian National Council of Medicine, is
sufficient to certify the irreversible loss of brain-stem function. Therefore, this
study aimed to verify the real need to use complementary exams for brain death diagnosis.
Method: We carried out a prospective study analyzing the files of patients with brain death
diagnoses since the beginning of the protocol and that underwent a full clinical examination
and transcranial Doppler as a complementary exam. Results: No cases of cortical and/or brain-stem function recovery after brain death diagnosis
using clinical criteria were registered. Difficulty to perform transcranial Doppler
and failures inherent to the exam contributed to late diagnosis. Conclusion: It is possible to diagnose brain death only using a full clinical examination, with
no need to perform complementary exams.
Palavras-chave
Morte encefálica - diagnóstico clínico - estudos prospectivos
Keywords
Brain death - clinical diagnosis - prospective studies